Já mencionei, neste espaço, a trágica possibilidade de o Brasil vir a ser um país sem professores, tal é o abandono financeiro, intelectual e pessoal desta profissão, antes coberta de glamour e agora pretendida por apenas 2% dos alunos de ensino médio, segundo pesquisa da Fundação Getúlio Vargas.

Referi-me, também, aos equívocos governamentais que tentam resolver o problema tratando separadamente o que é indissociável: salário, capacitação, cobrança de resultados e melhoria da aprendizagem. Um contrassenso para um país que precisa incluir milhares de pessoas, fortalecer instituições, inclusive a democracia, e pretende influenciar no intricado cenário global.

Assim sendo, no Dia do(a) Professor(a), abordo outro aspecto da vida deste(a) trabalhador(a) cujo emocional é sempre aflorado ao ver o seu aluno crescer, triunfar ou fracassar, mesmo quando já não está mais em sua escola.

Costuma-se dizer que o(a) professor(a) recebe dois pagamentos: o pecuniário, historicamente pequeno, e a satisfação de perceber que seus esforços ajudam os alunos a superarem dificuldades de aprendizagem ou de comportamento. Na verdade, este profissional faz diferença para a vida dos estudantes, quando os resgata e os coloca no caminho do aprendizado-cidadão. Os bons alunos já são bons. Aprendem com este ou com aquele professor, nesta ou naquela escola. São os de maiores dificuldades que precisam de sua rápida e maior atenção. Do contrário, apenas reproduzirá as persistentes, embora menores desigualdades sociais.

O vínculo do professor com o aluno não se rompe quando este sai da escola. Pelo contrário, acompanha-o, independentemente da distância, por toda a sua vida. Vibra quando recebe notícias sobre feitos protagonizados por eles. Orgulha-se e infla o peito para dizer que aquele foi seu aluno ou estudou em sua escola. Chora quando tem informação de fracassos. Penitencia-se, perguntando onde foi que errou ou se poderia ter feito mais, ou melhor do que fez.

O professor é professor 24 horas por dia. Na rua, no supermercado, no cinema, onde quer que se encontre, é saudado como “o professor”.

Nas férias, não consegue cumprir o pacto de não falar sobre aluno ou escola. Aproveita o que lê, ouve ou vê, tudo para tornar sua aula mais atraente.

Nada substitui a tensão e a satisfação da procura e do encontro da melhor forma para instigar o aluno a aprender o conteúdo que pretende ensinar.

Professor é profissão, vocação, razão e emoção. Salve o professor!