Não é preciso ser engenheiro para constatar a precariedade da estrutura da ponte de Congonhas. Basta olhar para o amontoado de madeira podre que incrivelmente resiste ao tempo. Até quando?
Não é preciso ser engenheiro para constatar a precariedade da estrutura da ponte de Congonhas. Basta olhar para o amontoado de madeira podre que incrivelmente resiste ao tempo. Até quando?

Zahyra Mattar
Tubarão

A queda do empresário Beto Lima, 48 anos, da ponte de divisa entre Tubarão e Jaguaruna pelo bairro Congonhas, gerou polêmica na região e também dividiu opiniões. Para o secretário de infraestrutura da prefeitura de Tubarão, Nilton de Campos, o empresário teve sorte de sair vivo.

Pelo lado da Cidade Azul, a passagem está interdita desde o dia 12 de setembro de 2009, quando um laudo técnico, feito por engenheiros e a Defesa Civil, confirmou: não existe mais como reformar a estrutura.
Nilton chegou a colocar cancelas, morros de aterro, placas de alerta. Tudo foi arrancado e a ponte continuou a ser usada. Com receio, o secretário registrou um boletim de ocorrência.

“Na época, eu pensei em tirar a parte de Tubarão, mas achei melhor não fazer isso porque fiquei com medo de alguém vir por Jaguaruna e cair no rio por não perceber. Deu nisso. O empresário tem razão de reclamar, cobrar. A única forma de resolver é construir outra ponte”, lamenta o secretário tubaronense.

Do lado de Jaguaruna, ainda em 2009, o prefeito Inimar Felisbino Duarte (PMDB) foi contrário à interdição. Tanto que mandou reformar a passagem. Em 2010, o mesmo. Ontem, ficou chateado com as colocações de Beto Lima: “Todo mundo sabe que a ponte está ruim. Foi passar por lá por quê?”.

No meio, fica o governo do estado, que agora deverá agilizar a assinatura do bendito convênio para, enfim, construir a nova passagem de concreto. “Vou pedir para que derrubem a ponte. Assim, evitamos uma tragédia. O estado não tem culpa, pois já repassou recursos para construir a passagem”, lembra Dura.

Agora o convênio deve sair

O secretário de desenvolvimento regional em Tubarão, Haroldo Silva, o Dura (PSDB), vai a Florianópolis, na próxima terça-feira, de onde pretende voltar com o convênio para a construção da nova ponte de Congonhas garantido.
Desde 2006, fala-se na necessidade de construir uma nova passagem entre Tubarão e Jaguaruna. A ordem de serviço chegou a ser assinada em 2008, mas a obra estava atrelada à outra, a ponte de Torneiro, na divisa com Içara. Só esta última foi executada. A inaugurada ocorreu na última sexta-feira.
A meta é lançar o edital de licitação no próximo mês e, se não houver problema no trâmite, começar a obra entre o fim de março e o começo de abril. Serão investidos R$ 600 mil do estado e R$ 150 mil cada das prefeituras.