Cíntia Abreu
Tubarão

O Brasil está a cada dia mais velho. Segundo os dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a expectativa do país está entre as mais altas do mundo, com média de 73 anos. Os dados mostram que, a cada ano, os idosos estão mais presentes na vida moderna e que isso merece mais atenção, já que as pessoas com mais de 60 anos nem sempre recebem o devido respeito.

Ontem, foi o Dia Mundial de Conscientização da Violência contra o Idoso. Data importante, já que a cidade de Tubarão tem 11,5 mil pessoas da terceira idade. A assistente social do Abrigo dos Velhinhos, Bianca da Silva, enfatiza que muitas pessoas não sabem que podem realizar denúncias anônimas sobre casos de violência contra os idosos. “Além dos telefones das delegacias na cidade, o Programa Saúde do Idoso também recebe as reclamações”, afirma Bianca.

O delegado Nazil Bento Junior, responsável pela Delegacia de Polícia Civil da Criança, do Adolescente e Proteção à Mulher e ao Idoso de Tubarão, faz uma observação sobre o tema. “É comum pensarmos que somente a agressão física é crime. Os casos de extorsão ou até mesmo pressões psicológicas entram nos direitos dispostos a estas pessoas”, orienta Bento Junior. Na opinião da assistente social, o que amenizaria a violência aos idosos seria o respeito, que falta entre os próprios jovens.

Ações já ocorrem
pelo não à violência

O envelhecimento é um fenômeno universal. Em 2050, estima-se que haverá dois bilhões de pessoas com mais de 60 anos no mundo. Daí a importância em buscar o reconhecimento dos direitos dos idosos em ter igualdade de oportunidades e tratamento em todos os aspectos da vida, à medida que a pessoa envelhece.
A presidenta do Abrigo dos Velhinhos, Shirlei da Rosa Mendonça, acredita que, se os governantes fizessem valer todas as leis do Estatuto do Idoso, e as pessoas colocassem respeito dentro das próprias casas, não haveria tantos idosos em abrigos. “O que não quero para mim não devo fazer para os outros. Muitos esquecem que a idade chega para todos”, alerta Shirlei.

O Abrigo dos Velhinhos tem hoje 48 idosos. Destes, quatro vieram porque se sentiam um empecilho dentro da própria família. É a história da vida de dona Luíza Maurício de Oliveira, há um ano moradora do abrigo. “Tive um problema na perna e, como sou viúva, pedi para que meus irmãos me colocassem aqui. Assim, não atrapalharia ninguém. Vou visitá-los sempre que quero”, relata Luíza.
Na opinião da idosa, os jovens não têm mais respeito com os mais velhos. “Tenho um sobrinho que, quando converso com ele, sempre me dá uma resposta malcriada. Dou puxões de orelha, mas não adianta”, reclama.