Amanda Menger
Tubarão

O número de denúncias de violência contra a mulher, em Tubarão, cresceu nos últimos meses. De janeiro a julho foram 333 registros e de agosto até outubro já foram 291 casos. Os dados foram revelados ontem, durante a passeata realizada em comemoração ao dia internacional pela eliminação da violência contra a mulher. “Fizemos um apitaço e caminhamos da Unisul TV até a praça da Catedral. Além de oferecer serviços como corte de cabelo e exames médicos, discutimos formas de prevenir a violência e os casos registrados em Tubarão”, afirma a presidenta do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, Maria Aparecida Alves Caprestano.

Dos 624 casos registrados até o dia 31 de outubro, 235 são de ameaças e 124 de lesões corporais. “As ameaças são variadas, desde morte, agressão física, suspensão do pagamento das pensões, retirada da guarda dos filhos, até de atear fogo na residência e na companheira”, revela a psicóloga Maria Tereza Oliveira Daufenbach, que atende na delegacia de proteção à mulher em Tubarão.
As lesões corporais são aquelas em que a agressão deixa marcas. “São casos de lesões com arma de fogo, facas e espancamento, por exemplo. Nestes casos, é necessário fazer o exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML). Muitas vezes, as agressões e lesões ocorrem junto”, relata a psicóloga.

Para a presidenta do conselho, os números mostram que as mulheres não querem mais sofrer caladas. “Temos mais casos registrados, o que não significa que a violência aumentou, mas que as mulheres se sentem mais seguras para fazer as denúncias. Elas sabem que há uma rede de proteção, só precisamos de uma casa abrigo para que essa estrutura esteja completa. A lei Maria da Penha, que pune com rigor os agressores, é essencial para essa mudança de atitude”, avalia Maria Aparecida.