As gêmeas siamesas Lis e Mel receberam alta médica nesta segunda-feira (3/6), 36 dias após a cirurgia de separação total feita no Hospital da Criança (HCB). A recuperação das meninas foi surpreendente e comemorada pela equipe médica. 

Elas voltam para casa, em Ceilândia, onde devem seguir a rotina de cuidados pós-operatórios. Lis saiu da UTI na última segunda-feira (27); Mel já tinha deixado a unidade uma semana antes. 

A família tem praticamente morado no hospital desde o dia 27 de abril, quando aconteceu a cirurgia de separação das gêmeas. No sábado (1º), elas comemoraram um 1 ano com uma festa junina com direito a bolo, balões e decoração especial. Espertas e ativas, já falam palavras como “mamá” e “papá”, brincam juntas e ensaiam os primeiros passos independentes uma da outra.

A expectativa agora é de vida normal para as pequenas. “Que elas corram, brinquem e quebrem a casa. Esperamos sempre o melhor, que tenham saúde e possam sair para a rua, ir para o shopping e passear”, disse o pai das gêmeas Rodrigo Aragão, 30 anos. As meninas devem continuar a visitar o hospital para o tratamento com fisioterapia e fonoaudiologia. 

Caso raro

Camilla Vieira, 25 anos, e Rodrigo Aragão, 30, descobriram que seriam pais de gêmeas siamesas na 10ª semana de gestação.  Provavelmente, um dos casos mais precoces do mundo de detecção de gêmeos siameses craniópagos – que são unidos pela cabeça. Elas são acompanhadas pelo neurocirurgião Benício Oton desde a 12ª semana de gestação.

Mel e Lis passaram 10 meses unidas pela cabeça, na altura da testa. A separação das gêmeas siamesas ocorreu no dia 27 de abril. A cirurgia, considerada raríssima na medicina, foi dividida em 36 etapas, começou às 6h30 de sábado e só terminou às 2h30 de domingo (28).

Não havia veias ou artérias ligando o cérebro das meninas, mas o processo, além de raro, exigia extremo cuidado. Mais de 50 profissionais participaram da cirurgia de separação. Esse foi o primeiro procedimento do tipo no Distrito Federal, o terceiro no Brasil.

Foto: Hospital da Criança de Brasília/Divulgação