Entre discussões e questionamentos, foi apresentado nesta quinta-feira, dia 9, o projeto arquitetônico da sede própria da Câmara de Tubarão, cuja licitação está prevista para ocorrer nos primeiros meses do próximo ano.

Com cerca de 2.640 metros quadrados, a nova estrutura será construída em um terreno de 3,2 mil metros quadrados cedido pelo município próximo à Arena Multiuso. O Ministério Público e o Ministério do Trabalho também construirão suas sedes nas proximidades.

Atualmente, a Câmara ocupa uma casa cedida pela Engie, que poderá requerer o imóvel a qualquer momento. De acordo com os vereadores, o atual espaço não comporta mais as necessidades, já que há nove partidos, 15 vereadores, e apenas oito salas disponíveis.

O projeto apresentado pelo presidente do legislativo, vereador Nilton de Campos, prevê a construção dividida em dois blocos com a ala do plenário e gabinetes e a parte administrativa. Serão construídos 18 gabinetes, salas de reuniões, espaço para eventos, salas para os setores de RH, jurídico e contabilidade, auditório com capacidade para 100 lugares, plenário com galeria para cerca de 80 pessoas, entre outros espaços.

A obra deve custar até R$ 8 milhões, segundo estimativas. De acordo com o presidente da Câmara, Nilton de Campos, a construção de uma nova sede foi definida entre os 15 vereadores ainda em dezembro do ano passado. “Praticamente toda a região tem sede, e aqui estamos numa situação difícil. São nove partidos para oito salas. Está aquém. Isso pertence a Engie, mas com a venda a gente não sabe qual caminho vai ser seguido”, afirma Nilton. O presidente diz que até o final da atual legislatura o prédio estará concluído.

“Não corre risco de descontinuidade, porque é uma obra decidida em conjunto”, comenta. No ano que vem haverá mudança no comando da Câmara, que será presidida pelo vereador Zaga Reis. Ele deve lançar o edital para as obras já nos primeiros meses de 2022. Mas antes, o edital, em fase de conclusão, será submetido à análise do Tribunal de Contas do Estado. Os projetos complementares também estão sendo finalizados.

Orçamento provoca questionamentos

Após as explanações, o vereador José Luiz Tancredo, afirmou que não foi informado sobre detalhes do projeto e questionou os valores investidos com o escritório de arquitetura e a estimativa de investimento na obra. Contratado por R$ 31.750, o trabalho está sendo desenvolvido pela E+M Arquitetura, de Tubarão, e, além do projeto arquitetônico e da maquete eletrônica, inclui ainda os projetos elétrico, estrutural, hidrossanitário, preventivo de incêndio, memoriais descritivos e planilhas orçamentárias. “Soube do projeto quarta-feira, não fui consultado. Não opinei sobre o projeto. Não participei do projeto. O dinheiro é público, e precisamos discutir bem o projeto”, disse José Luiz Tancredo.

O vereador Felipe Tessmann também contestou as características do projeto. “Podia ser mais simples, com outro modelo arquitetônico mais barato. O projeto é bonito mas vai ficar caro. É fora da proporção do município. A casa do povo teria de ser de acordo com a realidade do município”, opinou.

O presidente Nilton Campos respondeu que os custos já estão no orçamento da Câmara. “Estamos fazendo uma estrutura para a população. Não é uma Câmara bonita para os vereadores, é para a comunidade. Está dentro da nossa realidade”, diz.

A vereadora Rita de Cássia, a Ritinha, também se manifestou alegando não ter sido consultada durante a elaboração do projeto e de não ter participado de reuniões para debater o assunto em questão.

O vereador dr. Jean Machado lembrou que a sede atual sofre com problemas de goteira em dias de chuva, prejudicando a realização das sessões. “Vai fazer uma obra pequena para ter que refazer daqui a 6 anos, ou já faz uma obra maior? Essa casa vive economizando, devolvendo dinheiro. É merecido para nosso povo uma casa de destaque”, defende.

A vereadora Luciane Tokarski também se manifestou ressaltando a importância de ter um espaço próprio e destacou que outras cidades da Amurel, com menor população possuem Câmaras bem estruturadas para receber a população. “Precisamos sonhar grande. Tubarão está crescendo e precisamos de um espaço próprio. Aqui é a Casa do Povo e temos que ter um espaço para bem receber a comunidade e comportar os programas implantados, como a Escola do Legislativo.”

Terceiro na linha de sucessão para presidir a Câmara, o vereador Gelson Bento disse que a ideia de uma nova sede foi discutida em outras legislaturas, porém, sem avanços. “Ninguém tirou o projeto do papel. A gente tem que pensar grande, fazer uma coisa bonita para o município. Essa cidade merece uma sede de ponta. Isso vai ser marcante para o município”, afirma.

A nova sede

Será um edifício de dois pavimentos e dois blocos. O principal vai abrigar a estrutura administrativa e legislativa, além de 18 gabinetes.

Hoje são 15 vereadores, mas o projeto está sendo elaborado para caso ocorra aumento no número de parlamentares, evitando isso novas reformas em um prédio recém-construído. No segundo bloco haverá plenário para 80 lugares e auditório para até 100 pessoas sentadas. Os dois blocos serão ligados entre si por meio de passarelas. Estão previstos também estacionamentos privativos e para visitantes.

“A Câmara é a casa do povo. A gente tentou trazer isso através do elementos arquitetônicos para o projeto. Empregamos racionalidade para evitar desperdício de material. Será possível deslocar paredes sem mexer no sistema construtivo, pois haverá divisórias flexíveis”, explica o arquiteto Eduardo Blasius de Almeida, um dos responsáveis pelo estudo.

“A ideia é que a Câmara possa se adequar ao longo do tempo sem maiores reformas. É preciso que tenha uma edificação pública que atenda às necessidades públicas”, define.

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Foto: Lysiê Santos/Folha Regional

Fonte: Folha Regional