Rafael Andrade

Tubarão

Uma gotinha pode mudar a vida, ou melhor, manter-nos saudáveis e nos dar um fôlego de esperança. Nos primeiros anos de vida, são as famosas gotinhas nos postos de vacinação que deixam nossos bebês e crianças mais protegidos das doenças, das bactérias e dos vírus. Assim que crescemos, a picadinha inofensiva das agulhas chegam para nos imunizar e impulsionar nosso crescimento de maneira mais saudável. Na fase adulta, basta seguirmos as campanhas nacionais e os reforços pré-estabelecidos, conforme a caderneta de cada um. 

Muito se fala sobre o coronavírus – já são dois casos confirmados no Brasil -, mas a certeza é que ainda não há um remédio para esta doença, que vem assustando dezenas de nações no mundo. A boa notícia é que uma vacina contra o novo coronavírus pode ser criada dentro de 90 dias. A afirmação foi feita por David Zigdon, CEO do Galilee Research Institute (Migal), localizado na Galileia, em Israel. De acordo com o cientista, os testes preliminares em aves provaram sua eficácia e a equipe busca agora a modificações que permitam a imunização em humanos, que deve ser administrada por via oral.

A vacinação ainda é a melhor forma de prevenir os óbitos e as sequelas provocados por doenças. As campanhas são criadas para atingir a massa. Cada vacina possui um mínimo estimado ou preconizado para garantir que a população esteja protegida, que é uma cobertura de 95% para todas, exceto o HPV, que é 80%.

“Caso criem uma imunização contra o coronavírus, iremos proceder a mesma logística que temos com as outras vacinas. A Secretaria de Estado da Saúde recebe do Ministério da pasta, então distribui às Gerências Regionais, que faz a divisão às prefeituras”, explica a enfermeira coordenadora da Imunização da 19ª Gerência Regional de Saúde (Gersa), Shaiane Salvador. A unidade de Tubarão atende os 18 municípios da Amurel. A faixa-etária das vacinas é definida pelo Ministério da Saúde. No caso do coronavírus, caso seja aprovada a vacina dos cientista de Israel, será preciso aprovação no Brasil, via Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e, depois, distribuição aos Estados. Isto pode levar cerca de um ano.

Qual a importância da vacinação?

O ditado popular “melhor prevenir do que remediar” se aplica perfeitamente à vacinação. Muitas doenças comuns no Brasil e no mundo deixaram de ser um problema de saúde pública por causa da vacinação massiva da população. Poliomielite, rubéola, tétano e coqueluche são só alguns exemplos de doenças comuns no passado e que as novas gerações só ouvem falar em histórias.

Calendário de vacinação

O Calendário Nacional de Vacinação contempla não só as crianças, mas também adolescentes, adultos, idosos, gestantes e povos indígenas.

Ao todo, são disponibilizadas 19 vacinas para mais de 20 doenças, cuja proteção inicia ainda nos recém-nascidos, podendo se estender por toda a vida.

As vacinas são seguras?

Eventuais reações, como febre e dor local, podem ocorrer após a aplicação de uma vacina, mas os benefícios da imunização são muito maiores que os riscos dessas reações temporárias.

É importante saber também que toda vacina licenciada para uso passou antes por diversas fases de avaliação, desde os processos iniciais de desenvolvimento até a produção e a fase final que é a aplicação, garantindo assim sua segurança. Além disso, elas são avaliadas e aprovadas por institutos reguladores muito rígidos e independentes. No Brasil, essa função cabe à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), órgão vinculado ao Ministério da Saúde.

E não é só isso. O acompanhamento de eventos adversos continua acontecendo depois que a vacina é licenciada, o que permite a continuidade de monitoramento da segurança do produto.

O que é preciso ser feito para me vacinar?

Toda a população pode se vacinar gratuitamente nas mais de 36 mil salas de vacinação localizadas nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) de todo o país. Para isso, basta comparecer a um posto de saúde com o cartão de vacinação em mãos.

Para quem perdeu o cartão de vacinação, a orientação é para procurar o posto de saúde onde recebeu as vacinas para resgatar o histórico de vacinação e fazer a segunda via. A ausência da Caderneta de Vacinação não é um impeditivo para vacinar. Toda pessoa pode ser vacinada nos postos de saúde, onde recebe um registro de controle da vacinação (cartão), podendo atualizar mais tarde a Caderneta.

Ressalta-se que o cartão de vacinação é o documento que comprova a situação vacinal do indivíduo, devendo ser guardado junto aos demais documentos pessoais.

Tipos, doenças e vacinas

• A BCG é uma vacina indicada para prevenção da tuberculose e é normalmente administrada logo após o nascimento. A vacina BCG é composta por bactérias da estirpe Mycobacterium bovis (Bacillus Calmette-Guérin), com virulência diminuída, que estimulam o organismo a produzir anticorpos contra esta doença.

• A hepatite B é uma doença infecciosa causada pelo vírus da hepatite B, ou HBV, que provoca alterações no fígado e pode levar ao aparecimento de sinais e sintomas agudos, como febre, enjoos, vômitos e olhos e pele amarelados.

• A vacina pentavalente é uma composição combinada que previne cinco doenças: tétano, hepatite B, coqueluche, difteria e meningite (causada pela Haemophilus influenza tipo B).

• A vacina contra a poliomielite, também conhecida como VIP ou VOP, é uma vacina que protege a criança de 3 tipos diferentes do vírus que causam esta doença, conhecida popularmente como paralisia infantil.

• Vacina pneumocócica 10-valente (conjugada) é indicada para imunização ativa (ou seja, estimula o sistema de defesa do organismo a produzir anticorpos) de bebês e crianças de 6 semanas a 5 anos de idade contra doença causadas por Streptococcus pneumoniae de sorotipos 1, 4, 5, 6B, 7F, 9V, 14, 18C, 19F e 23F (incluindo sepse, meningite, pneumonia, bacteremia e otite média) e para o sorotipo 19A (proteção cruzada).

• Rotavírus: é uma vacina constituída por vírus vivos atenuados, que protege contra as gastroenterites causadas pelo rotavírus. Sua aplicação é via oral, em duas doses. A vacina é indicada para prevenção de gastroenterites graves por esse tipo de vírus, mas não protege contra diarreia causada por outros agentes.

• Vacina meningocócica C conjugada

O que previne:

Doenças causadas pelo meningococo C (incluindo meningite e meningococcemia).

Do que é feita:

Trata-se de vacina inativada, portanto, não tem como causar a doença. Contém antígeno formado por componente da cápsula da bactéria (oligossacarídeo) do sorogrupo C conjugado a uma proteína que, dependendo do fabricante, pode ser o toxoide tetânico ou o mutante atóxico da toxina diftérica, chamado CRM 197. Contém também adjuvante hidróxido de alumínio, manitol, fosfato de sódio monobásico monoidratado, fosfato de sódio dibásico heptaidratado, cloreto de sódio e água para injeção. Indicação: Para crianças e adolescentes. Para adultos e idosos com condições que aumentem o risco para a doença meningocócica ou de acordo com a situação epidemiológica. Para viajantes com destino às regiões onde há risco aumentado da doença.

• A vacina contra febre amarela é constituída de vírus vivos atenuados (cepa 17D) apresentada sob a forma liofilizada em frasco de múltiplas doses, acompanhada de diluente (soro fisiológico). A vacinação é considerada pela Organização Mundial da Saúde a forma mais importante de prevenir a febre amarela. Indicação: 9 meses aos 59 anos.

• A vacina contra sarampo, caxumba e rubéola (vacina tríplice viral) é uma combinação de vírus vivos atenuados contra o sarampo, a caxumba e a rubéola, apresentada sob a forma liofilizada, em frasco-ampola com uma ou múltiplas doses. A proteção inicia-se cerca de duas semanas após a vacinação. Esta está em plena campanha, começou em 10 de fevereiro e encerra somente no dia 13 de março.

• A vacina anti-hepatite A é uma vacina que previne a hepatite A. É eficaz em cerca de 95% dos casos, dura pelo menos quinze anos e, possivelmente, a vida inteira da pessoa. No Brasil, a vacina com vírus inativo é administrada em dose única a crianças de 15 meses.

• VOP: Poliomielite (paralisia infantil). Do que é feita: Vacina Oral Poliomielite (VOP) – É uma vacina oral atenuada bivalente, ou seja, composta pelos vírus da pólio tipos 1 e 3, vivos, mas “enfraquecidos”.

• Tetraviral: O que previne:

Sarampo, caxumba, rubéola e varicela.

Do que é feita: Trata-se de vacina atenuada, contendo vírus vivos “enfraquecidos” do sarampo, da rubéola, da caxumba e da varicela (catapora), lactose anidra, sorbitol, manitol, aminoácidos, traços de neomicina e água para injeção. Contém traços de proteína do ovo de galinha usado no processo de fabricação da vacina.

• A vacina SCR-V está recomendada para crianças e adolescentes com menos de 12 anos em substituição às vacinas tríplice viral (SCR) e varicela, quando a aplicação destas duas for coincidente. O Programa Nacional de Imunizações (PNI) adotou a vacina SCR-V para a aplicação da segunda dose da vacina SCR e dose única da vacina varicela.

• A vacina tríplice acelular (DPaT) é constituída de antígenos protetores contra a difteria, coqueluche e tétano. É composta por dois toxoides (tetânico e diftérico) e antígenos purificados da bactéria que causa a coqueluche (Bordetella pertussis), fazendo com que as reações à vacina sejam menos frequentes e mais leves.

• A vacina da varicela está indicada para todas as crianças saudáveis entre 12 meses e 12 anos de idade, em dose única de 0,5 ml, com um reforço aos 4 anos de idade. Esta vacina também está indicada para adultos que não tiveram Varicela. A vacina é ofertada no Sistema Único de Saúde e é extremamente eficaz na prevenção desses tumores. Ela está disponível nas mais de 36 mil salas de vacinação. Para os meninos, a indicação é na faixa etária de 11 a 14 anos e, para meninas de 9 a 14 anos.

• DT A vacina é utilizada na rede pública para a proteção das pessoas que não iniciaram ou não terminaram o esquema contra difteria e tétano até os 7 anos de idade e para as doses de reforço a cada dez anos. Contraindicações: … A vacina dTpa pode substituir a vacina dT. A vacina dTpa (tríplice bacteriana acelular do adulto) tem o objetivo específico na gestação de proteger contra tétano neonatal e coqueluche no recém-nascido.

• Influenza: A vacina da gripe utilizada na rede pública será a trivalente, a mesma usada no ano de 2015. Ela previne contra três tipos de vírus influenza e é composta por três cepas (espécies do vírus): uma cepa A/H1N1, uma cepa A/H3N2 e uma cepa B.

Campanhas

O Ministério da Saúde promove duas campanhas anuais de vacinação, junto com Secretarias de Saúde de estados, municípios e Distrito Federal. São as campanhas da gripe, realizada no primeiro semestre, antecedendo o período mais frio do ano, e de atualização da Caderneta de Vacinação.

Além disso, a cada quatro anos, todas as crianças menores de cinco são também alvo da campanha de vacinação contra sarampo.

• Campanha Nacional de Vacinação contra Influenza (Gripe)

• Campanha de Multivacinação para a Atualização da Caderneta de Vacinação

• Campanha de Seguimento contra Sarampo

O Ministério da Saúde realiza vacinação também para a população indígena.

Não deixe que doenças já erradicadas no país voltem. Vacine-se!

Por isso, não podemos deixar de buscar as vacinas disponíveis nas salas de vacinação, nas Unidades Básicas de Saúde (UBS). São 300 milhões de doses das vacinas incluídas no Calendário Nacional de Vacinação.

Não vamos deixar que doenças já erradicadas no Brasil voltem a assombrar as nossas crianças! Lembrem-se que a saúde não é uma responsabilidade exclusiva do Ministério da Saúde, das secretarias, dos profissionais e dos médicos. É de todos nós. Mantenham o cartão de vacinas atualizado!