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A mudança climática está sendo sentida em todo mundo e afetando a população como um todo, mas, principalmente quem vive próximo ao litoral. Recentemente, um levantamento do relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), apontou que o mundo provavelmente atingirá ou excederá 1,5 °C de aquecimento nas próximas duas décadas, ou seja, mais cedo do que em avaliações anteriores. A preocupação com o clima no planeta é acompanhada por pesquisadores, docentes e cientistas que buscam encontrar alternativas para minimizar os impactos ambientais na vida das pessoas.

Dentro desse contexto, a UniSul, integrante do Ecossistema Ânima, em parceria com Instituto Ayni, uma ONG com foco na Conservação Ambiental e Desenvolvimento Social, firmaram uma parceria para colocar em prática o projeto “Ciência cidadã para comunidades tradicionais costeiras na adaptação às mudanças climáticas: Construindo uma rede de observação brasileira”. Esta iniciativa conta com o financiamento do British Council e busca engajar as comunidades tradicionais da região costeira do Brasil para compartilhar suas histórias e memórias sobre os impactos e adaptação às mudanças climáticas globais.

“A ideia do projeto é rastrear toda a costa brasileira, do Norte ao Sul do Brasil, e mostrar como as mudanças climáticas estão afetando as populações que vivem nesses locais. Por meio de uma abordagem de ciência cidadã participativa, usaremos plataformas e aplicativos digitais para coletar e amplificar as vozes dessas comunidades costeiras em distintos contextos sociais e geográficos do Brasil”, destaca Rodrigo de Freitas, professor do Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais (PPGCA) da UniSul que está à frente do projeto no sul do país junto com a bióloga Lara da Silva, mestranda do PPGCA.

A UniSul é um dos elos de articulação da rede que está presente em toda costa brasileira. Aprovado no final de junho de 2021, por pesquisadores das regiões Norte, Nordeste, Sudeste e Sul do país, o projeto tem um prazo de execução curto, que encerra em fevereiro de 2022.

“O projeto vai mapear os impactos das mudanças no clima que os pescadores artesanais da nossa região (Centro-Sul de Santa Catarina), além de outras populações tradicionais do litoral brasileiro, como indígenas e quilombolas, estão sofrendo. Também apresentaremos propostas de como essas populações podem se adaptar a estas mudanças. O projeto também vai integrar essas populações digitalmente, por meio de plataformas abertas em uma rede de ciência cidadã”, reforça o professor.

Objetivos do Projeto Ciência Cidadã

O projeto busca identificar e mapear experiências das comunidades tradicionais e locais na zona costeira brasileira, ajudar no fortalecimento de ações que já estão em andamento nesses locais e criar sinergia para novas iniciativas. Para tanto, participam desta iniciativa as seguintes organizações: Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, Universidade de Plymouth, Universidade de São Paulo, Universidade Federal do Amazonas, Universidade Federal da Bahia, Universidade Federal da Paraíba, Universidade Federal de Pará, Universidade Federal de Sergipe e Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Através deste mapeamento os envolvidos no projeto pretendem incentivar e inspirar outras comunidades a buscarem ações locais para que possam se adaptar aos impactos das mudanças climáticas. A partir de relatos e histórias das comunidades acompanhadas pelo projeto, a ideia é compartilhar como o modo de vida dessas comunidades se relacionam com a natureza e com diferentes ecossistemas, ampliando a discussão sobre a cultura, identidade e o uso sustentável nos territórios ocupados pelas comunidades tradicionais.

Os registros dos pescadores dentro dessas comunidades serão coletados em uma plataforma aberta. Esse projeto é considerado de extrema importância para os envolvidos porque mostra como as comunidades costeiras que vivem em diferentes contextos estão sentindo as mudanças climáticas que o planeta vem passando.

“Acreditamos que comunidades serão mais resilientes e capazes de se adaptarem aos efeitos das mudanças climáticas se estiverem conectadas em uma rede de observação”, diz o professor.

O docente ressalta que as expectativas com o projeto são as mais positivas possíveis e o objetivo é que outras ações surjam daqui para frente. “Minha expectativa é que esta iniciativa alavanque outros projetos e que a rede de ciência cidadã se expanda ao longo do litoral brasileiro e, por que não, em todo o mundo? É o início de uma trajetória que pode ajudar muito essas populações tradicionais”, finaliza Freitas.

Os interessados em participar do projeto podem entrar em contato com os integrantes pelo e-mail cienciacidada@institutoayni.org.

Sobre a UniSul

Com 56 anos de história, a Unisul conta com aproximadamente 20 mil alunos distribuídos em dez campus: Araranguá, Balneário Camboriú, Braço do Norte, Florianópolis, Florianópolis – Continente, Florianópolis –Ilha, Içara, Itajaí, Pedra Branca e Tubarão. A instituição passou a que integrar o Ecossistema Ânima Educação no início de 2021, tem seus cursos figurando entre os melhores do Sul do Brasil e obteve conceito máximo (5) na avaliação do Ministério da Educação (MEC). A universidade é também a empresa mais premiada pela ADVB catarinense e uma das marcas empresariais mais lembradas no Sul do Brasil. Atualmente com 70 cursos de graduação, 60 de especialização, seis de mestrado e três de doutorado. A instituição possui, também, uma tradição de universidade empreendedora e participativa no próprio desenvolvimento de Santa Catarina – foi a primeira universidade de ensino superior a participar do planejamento pioneiro do estado em 1973.

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