Sangão

 
Notisul – Como estão os investimentos no município de Sangão depois de solucionado os problemas com os precatórios?
Castilho Silvano Vieira – O problema com os precatórios foram parcialmente sanados. Depois de resolvermos isso, conseguimos alguns investimentos para algumas obras. Temos, ainda, outras para licitar. Vamos tentar recursos pelo governo estadual, para que não haja contrapartida do município para não comprometer o orçamento. Temos investimentos em torno de R$ 8 milhões em obras para iniciar ainda neste ano, umas até já foram iniciadas, outras, como já frisei, estão em fase de licitação. 
 
Notisul – Tem alguma situação que atrapalha o andamento do executivo?
Castilho – Tem sim. O que me incomoda é a questão dos trâmites burocráticos. Já na administração municipal anterior, comecei a buscar recursos junto a deputados em Brasília com projetos. Foi um passo à frente, mas isso demora. Este fato atrapalha muito os trabalhos.
 
Notisul – Quais são os projetos e as principais dificuldades enfrentadas pelo senhor na administração municipal?
Castilho – O principal problema de Sangão é a falta de mão de obra. Devido à localização privilegiada que temos, somos cortados pela BR-101, e a principal via de acesso ao aeroporto regional de Jaguaruna, temos muitas empresas, algumas de grande porte. O que muitas vezes ocorre são os trabalhadores de Capivari de Baixo, Criciúma, ou de outros municípios para atuar na nossa cidade. 
 
Notisul – Como o senhor avalia a evolução do município nestes 22 anos de emancipação?
Castilho – A cidade de Sangão era somente um bairro de Jaguaruna. Com o trabalho realizado para melhorar a arrecadação de ICMS e ISS, as condições de vida do povo melhoraram muito. Hoje, temos empresários fortes no município. Estamos em franco desenvolvimento, no último evento do encontro dos prefeitos da Federação Catarinense dos Municípios (Fecam), Sangão foi considerada uma das cidades que mais cresceu no estado. Independentemente da sigla partidária, estamos focados no progresso. A ideia é melhorar cada vez mais a estrutura do município. Queremos continuar como referência na Amurel. Acredito que todos os políticos, entre prefeitos e vereadores, fizeram sua parte. Cada um contribuiu do seu jeito. 
 
Notisul – O senhor tem pretensão de continuar na política?
Castilho – Em princípio não. Tenho como meta cumprir o mandato nos quatro anos (até 2016) no qual fui eleito. Não tenho mais pretensão política, porém não tenho como prometer isso. A cabeça pode mudar. Fiquei meio desanimado com algumas coisas que ocorreram com relação ao assunto dos precatórios, às vezes os vereadores de oposição cobram que só falo sobre este assunto. Porém, a dívida é do município, assumi o compromisso e vou pagar.
 
Dívidas apresentadas
De acordo com o prefeito de Sangão, Castilho Silvano Vieira (PP), foram pagos, no ano passado, R$ 144 mil de outro precatório decorrente de acidente de trânsito em que o município foi condenado a indenizar as vítimas. Ainda havia mais R$ 529.840,45 de precatórios vencidos em 2012, o maior deles no valor de R$ 490.935,56 da compra de duas retroescavadeiras que não foram pagas em 2002. Todas essas dívidas de precatórios ultrapassavam o valor R$ 1 milhão para os cofres municipais, praticamente o equivalente a uma receita mensal de Sangão.
 
 
Pavimentação do Campo Bom
Turismo em prol do progresso
 
Sangão
 
A estrada que liga o Distrito de Morro Grande, em Sangão, até o Balneário Campo Bom, em Jaguaruna e compreende 7,5 quilômetros de extensão com investimento em torno de R$ 7 milhões para a pavimentação teve a ordem de serviço assinada pelo governador Raimundo Colombo (PSD) no dia 22 do mês passado. 
A primeira parte deve ser concluída em maio deste ano. “Muitos questionam: qual a importância desta obra para o nosso município? São três décadas de trabalhos para que este projeto saia do papel. Com certeza, esta ação implementará um crescimento no número de turistas nos balneários e dará uma valorização nos preços dos lotes”, projeta o prefeito de Sangão, Castilho Silvano Vieira (PP). 
O prefeito de Jaguaruna, Luiz Napoli (PP), ressalta a importância da obra e destaca o desenvolvimento dos mais de 37 quilômetros de extensão da orla marítima dos balneários da cidade. “É um avanço para nós, pois beneficiará não somente os nativos, como também os veranistas e turistas. Esta obra significará uma expressiva economia”, destaca o prefeito. 
Foto:Júlio Cancelier/Divulgação/Notisul
 
 
Progresso
Base da economia é a indústria 
 
Sangão
 
Considerada a base da economia de Sangão, a indústria de cerâmica vermelha, na produção de tijolos e telhas, é responsável por 60% de arrecadação do município.
Essas empresas, a maioria instalada às margens da BR-101, chegam a produzir mais de 100 mil unidades por ano.
Os frutos deste trabalho são produtos de qualidade, que servem para brasileiros e estrangeiros. Telhas e tijolos são anualmente exportados para os Estados Unidos e países do Mercosul. Essa produção de sucesso pode ser atribuída ao solo do município, que é rico em argila, principal matéria prima. “Os investimentos são fortes no setor industrial e isso atrai cada vez mais empresários interessados em se instalar no município”, ressalta o prefeito Castilho Silvano Vieira (PP).
Outro setor que cresce a cada ano é a agricultura. Cultivos de mandioca, arroz e feijão também contribuem para o crescimento econômico da cidade, que mantém o trabalho familiar agregado com a mão de obra que vem de fora.
A indústria de cerâmica exporta para os países do Mercosul e também para os Estados Unidos