Tatiana Dornelles
Tubarão

O jornalista gaúcho José Ferreira da Silva conheceu 54 países, três ilhas (Ilha de Páscoa, Ilha da Madeira e Cabo Verde) e dois estados independentes (Groelândia e Alasca)… Tudo isso em uma lambreta. A viagem ocorreu de 5 de outubro de 1968 a 29 de setembro de 1969 e a idéia de ‘cair na estrada’ surgiu depois de ter ouvido uma história parecida, em que um radialista colombiano saiu do seu país de origem e veio ao Brasil de bicicleta.

Além da lambreta, a mala e a saudade, o jornalista levou grandes expectativas e, para os amigos, era considerado ‘um louco’. “Naquela época não havia uma infinidade de coisas que há hoje. Durante os 359 dias na estrada, tive fome, frio, medo, decepções, tristezas, doenças. Fui atacado por lobos, cobras. Quase morri. Que alegria poderia ter longe de familiares, dos amigos e da pátria? Sofri muito com a saudade. Mas tive bons momentos também”, conta José.

Ao retornar para o Brasil, o jornalista estava péssimo. “Não queria conversar com ninguém. Uma junta médica veio me analisar e por um bom tempo fizeram isso. Depois, o diagnóstico foi dado. Eles disseram que em 359 dias eu vivi mais do que um homem que chega aos 120 anos com vida normal na cidade. Meu corpo físico estava normal, mas meu espírito envelheceu muito”, relata.

Após percorrer cerca de 85 mil quilômetros, tanto de motocicleta quanto de navio e avião, o jornalista resolveu escrever um livro. Entretanto, não foi tão simples assim: ele rascunhou, datilografou e jogou tudo no lixo. Isso pouco tempo após a aventura. Depois, resolveu reiniciar e, em 2000, toda a história estava relatada em nada mais do que duas mil páginas. “Tive que sintetizar”.

E a lambreta? O veículo que passou por diversos países foi doado por ele, assim que a viagem foi concluída, ao Museu Júlio de Castilhos, em Porto Alegre (RS), onde permanece em exposição até hoje. Neste sábado, José lançará o seu livro, O Aventureiro – A Volta ao Mundo de Lambreta, na livraria Nobel, no Farol Shopping, em Tubarão.