Cíntia Abreu
Tubarão

Apesar de se ter vacinas que previnam as chamadas “doenças da infância”, é difícil quem não tenha contraído caxumba, rubéola ou catapora. Os pais de Nathã das Neves Cordova, 6 anos, não esperavam que de uma infecção ele seria impossibilitado de brincar livremente como qualquer outras criança de sua idade.

Há um ano e oito meses, Nathã teve catapora. E foi por conta disso que os pais, Clarkison de Oliveira e Cristini das Neves Cordova, descobriram que ele precisa de um transplante de medula óssea. “Ele teve uma hemorragia muito forte. Então, descobrimos que o problema era mais grave: um câncer na medula”, lamenta Clarkison.

A cada 15 dias, o menino vai a Florianópolis tratar a doença. Isto é um dos fatores que restringem as suas atividades. Como ele necessita de repouso integral, não pode, por exemplo, frequentar a escola. “A responsabilidade é muito grande. Nathã não pode sofrer nenhum tipo de corte no corpo. Caso contrário, pode ter uma grave hemorragia e vir até a morrer”, explica Clarkison.

O garoto passa os dias brincando com a irmã Sara, de 8 anos, que já realizou o exame de compatibilidade, porém, não poderá ser uma doadora de medula para o irmão. Enquanto isso, Nathã diverte-se com os seus desenhos coloridos. “Vocês podem vir aqui todos os dias, assim, apareço sempre no jornal”, declara o inocente Nathã, que praticamente não entende o motivo da campanha.

Apesar da infância diferente, os pais não perdem a esperança de conseguir um doador. “Tenho certeza que iremos conseguir. Por enquanto, só sinto por ele, que vê as outras crianças brincando normalmente e não pode correr, jogar futebol e divertir-se tanto quanto os outros”, lamenta Cristini, que abdicou da profissão para tomar conta do filho.

Como funciona o transplante
• A doação de medula funciona quase como a doação de sangue. A médica do Hemosc de Tubarão, Laurene de Abreu Viana, explica que o primeiro passo é ir ao centro de coleta, quem tem de 18 a 55 anos. “Aqui, fazemos um cadastro nacional, assim, o doador terá a chance de ajudar a todos”, esclarece a médica.

• São retirados cinco mililitros de sangue para a realização do exame de compatibilidade. Depois, se houver possibilidade de doação, a medula é retirada do osso da bacia. “Aspiramos o miolo, que é a medula. Não há dor, e é possível salvar vidas”, explica Laurene.

Ajude você também
Quem puder ajudar Nathã e outras pessoas que passam pelo mesmo problema devem dirigir-se à unidade coletora do Hemosc de Tubarão ou de qualquer cidade para realizar o exame de compatibilidade. Mais informações na unidade de Tubarão, pelo telefone 3621-2405.