Uma linda história da vida real – com um final feliz – teve um ‘capítulo’ muito especial. Doar é um ato de amor e, quando o procedimento dá certo, tudo se torna muito gratificante para ambos os lados. Arthur Brito, de 13 anos, morador de Viamão (RS), conheceu por videoconferência nesta quinta-feira (3) o ‘anjo’ que salvou sua vida.  

O tubaronense Gustavo Martins, de 38 anos, foi a pessoa que mudou o destino do pequeno Arthur, que travava uma luta contra uma leucemia há cinco anos. Ele descobriu a doença aos 8 anos.

Conforme dita a lei, somente depois de 18 meses da realização do transplante é que se pode revelar ao doador e ao receptor suas identidades. Esse momento chegou e, claro, os dois fizeram esse contato na quinta-feira. Foi um momento mágico, de muita emoção, alegria e choro. 

De um lado, na Cidade Azul, satisfação plena por salvar uma vida, e do outro, em Viamão, lágrimas de gratidão. Agora eles planejam um encontro pessoalmente. Obviamente, também das duas famílias que vibram juntas a grande conquista. 

Segundo Philipe Costa Nunes, amigo e vizinho de Gustavo Martins, as comemorações não param. Se lá no estado gaúcho a família de Arthur está radiante de felicidade, em Tubarão ocorre o mesmo. 

Nesta sexta-feira (4), os amigos de Guga, como o chamam, organizaram uma festinha para parabenizá-lo. “Ele não mediu esforços em ajudar. Foi um herói. Ficou internado no Rio Grande do Sul para doar a medula. Muitos desistem, ficam com medo, ele não. Estamos muito orgulhosos, por isso comemoramos”, enaltece Philipe.  

Uma luta de 5 anos

Desde que Arthur descobriu a leucemia, aos 8 anos, sua família e amigos começaram uma grande batalha para encontrar um doador compatível. Diversas campanhas foram feitas para estimular as pessoas a doarem.  

Promoções de eventos e vaquinhas online também foram promovidas para ajudar a custear o tratamento. Afinal, foram anos de idas e vindas a Brasília, no hospital. 

Uma grande rede se formou em prol da causa de Arthur, uma rede de união, amor, solidariedade e esperança, que resultaram no encontro de uma pessoa compatível.

Em março de 2018, o pequeno fez o transplante e, após três meses, a grande notícia: a medula pegou! Assista ao vídeo do dia em que Arthur fez a descoberta e renasceu! 

Agradecimento do pai 

“Dizem que todo herói usa máscara ou capa, e todo anjo tem asas, mas hoje conhecemos o herói e anjo que salvou o nosso Arthur, aquele herói que todos nós batalhamos para achar na nossa campanha #curalogoarthur, encontrar um doador de medula óssea. Hoje fizemos nosso primeiro contato por chamada de vídeo, mais uma emoção, todos choramos, pois é muito sentimento envolvido, o nosso de gratidão e o dele de saber que salvou uma vida anônima. Hoje não são mais anônimos, de um lado o receptor Arthur e do outro o doador Gustavo Martins”.

Douglas Daguerre 

A emoção da mãe 

Bom dia Gustavo, anjo do meu filho Arthur.  Sou aline, mãe do Arthur Brito que você doou a medula para ele. Com escritas não vou parar nunca mais de escrever. Pois você deu a segunda vida dele, salvou meu filho. Desejo que Deus sempre ilumine você por essa enorme alegria que pode nos proporcionar. Gostaria de saber se podemos ser amigos. Se poderemos nos encontrar pessoalmente para nos conhecer. É muita alegria meu Deus. 

A doação 

Quando não há familiar compatível, o doador é procurado no Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome), que reúne informações de voluntários no Brasil e também é responsável por buscar doadores nos registros internacionais. Para se cadastrar, basta ir a um hemocentro com documento de identidade. Não é necessário agendamento. 

Cadastrar-se não significa que a doação será feita naquele momento, como ocorre com doações de sangue mais comuns. No caso da doação de medula óssea, são retirados 10 ml de sangue para avaliar a compatibilidade do doador com pacientes que precisam do transplante. Os dados ficam registrados e, se em algum momento houver alguém compatível, o voluntário é procurado para decidir sobre efetivar a doação. Por isso, é extremamente importante manter todos os dados pessoais atualizados.

Os requisitos para fazer uma doação de medula óssea são: ter entre 18 e 55 anos, estar em bom estado geral de saúde, não ter doenças infecciosas ou incapacitantes, doença neoplásica (câncer), hematológica (do sangue) ou do sistema imunológico.