Representantes da prefeitura participam, hoje, de reunião com o Instituto Ideas, de Florianópolis, para tratar os últimos detalhes da negociação. Entidade assumirá a direção do Hospital de Caridade, que acumula uma sonora dívida de quase R$ 10 milhões.

Lysiê Santos
Jaguaruna

Há anos que o Hospital de Caridade de Jaguaruna é motivo de reclamação e transtornos da população do município e região, que depende da instituição. Falta de médicos de plantão e dificuldades nos atendimentos são um dos principais problemas enfrentados no local pelos pacientes, que no contexto literal da palavra realmente precisam ter paciência quando a questão é saúde. O impasse é resulta do de uma crise financeira que há décadas se acumula na entidade.

Para tentar amenizar a situação, a prefeitura de Jaguaruna, responsável por um repasse de R$ 90 mil mensais, e o Conselho Gestor do Hospital buscam alternativas para manter as portas da instituição abertas. Há alguns meses, iniciou a negociação com o Instituto Ideas, de Florianópolis, o mesmo que administra o Hospital Santa Catarina, de Criciúma, para a revitalização da entidade. O contrato foi apresentado aos vereadores e ao Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Tubarão e Região (Sitesst), que solicita garantias aos 34 funcionários que atuam na instituição.

Hoje, o prefeito Edenilson Montini irá se reunir com a equipe do Instituto para tratar os últimos ajustes do contrato oficial. “Na reunião, vamos definir as cláusulas e esperamos que já na próxima semana inicie os preparativos para que o Ideas assuma a administração do Hospital de Jaguaruna”, prevê o gestor.

A unidade de saúde possui dívidas antigas de encargos sociais, com fornecedores e até com a central da luz elétrica, que já chega a quase R$ 10 milhões. O que vem à tona neste momento é que há servidores com aproximadamente 15 anos de ‘casa’ sem ter seus encargos recolhidos. Em função desta realidade, a Instituição de ‘Caridade’ não possui certidões negativas, o que impede o recebimento legal de verbas públicas nos âmbitos federal, estadual e municipal.

Sindicato pede garantia aos servidores
A presidente do Sitesst, Denise Matos de Freitas, relata que os 34 funcionários da instituição de saúde continuam sem garantias. A entidade solicitou ao Instituto que irá assumir o hospital que analise e inclua uma cláusula que garanta estabilidade por no mínimo seis meses, e ofereça qualificação à equipe para que se adequem às mudanças. “Há funcionários que já estão há quase 30 anos no hospital e precisam se atualizar. Nosso setor jurídico apresentou a proposta ao Ideas e estamos aguardando o retorno para que os servidores tenham tal garantia”, explica. Segundo o presidente do Ideas, Juliano Capeletti, o objetivo é reestruturar a entidade. “Nossa ideia é reestruturar a emergência, revitalizar o centro cirúrgico e trazer a maternidade. Tudo isso em um planejamento a curto, médio e longo prazo”, projeta.

Sem repasses
Atualmente, com a aplicação da nova lei 13.019, a qual regulamenta o repasse de verbas para entidades privadas, a situação tem se agravado. O hospital, até o momento, não conseguiu se regularizar para receber repasses da prefeitura de Sangão, uma das parcerias da entidade, por não ter condições de atender as exigências do referido município, de onde acarretam os custos para a assistência de aproximadamente 35% na emergência. A promotora da comarca de Jaguaruna, Elizandra Sampaio Porto, acompanha o caso e já cogitou a possibilidade de fechar a unidade pela suposta má administração e suspeita de falta de atendimento. “Acompanhamos de perto esta questão da qualidade da saúde pública no município. A promotoria está de portas abertas para o que for necessário para averiguar e somar neste momento. Uma mudança é necessária e precisa ser grande e estrutural, até mesmo para garantir que o hospital continue em funcionamento”, avalia.