Ricardo brinca entre a crianças angolanas
Ricardo brinca entre a crianças angolanas

 

Karen Novochadlo
Tubarão
 
ógrafo Ricardo Dalbosco tinha três opções: trabalhar em uma petrolífera, continuar a carreira na Polícia Militar ou ir para a África. O tubaronense optou pela terceira alternativa. 
 
Em 2008, Ricardo embarcou para Angola. O objetivo era trabalhar em uma multinacional que ajudava na construção do país devastado pela Guerra Civil. 
 
Hoje, ele auxilia no planejamento e criação de um plano diretor nas cidades. O trabalho não é fácil. Em um lugar onde se conviveu tanto tempo com a Guerra Civil, é comum encontrar tanques aos pedaços na rua, minas terrestres e morteiros. “Para ir a campo, só podemos ir onde outros funcionários já foram, ou com batedores que procuram minas”, revela. Calcula-se que haja quase uma mina para cada habitante. “Lá é para quem come abelha, não para quem come mel”, brinca ele.
 
A guerra terminou em 2002. De lá para cá, a população aumentou muito. Hoje, são cerca 16  milhões de pessoas. Um crescimento grande e o país precisa de estrutura. 
 
Falta água potável e saneamento em alguns locais. Um caminhão-pipa abastece periodicamente a casa do oceanógrafo.
Os idosos são raros no país. A expectativa de vida é baixa, 42 anos. Depois que viu o primeiro idoso, Ricardo levou três meses para ver um outro. Doenças como malária, HIV e problemas respiratórios são comuns. 
 
Ricardo volta a Angola na próxima sexta-feira. Mas deve retornar ao Brasil em breve.
 
A luta pela reconstrução
Muitos desconhecem que a Angola é rica em petróleo e diamantes. Essa riqueza auxilia no trabalho de reconstrução. Durante a guerra, parte da população morreu. Hoje, a vida selvagem retorna aos poucos à savana. Muitos bichos foram mortos e devorados pela população faminta na época da guerra.