#Pracegover foto: há três pessoas, leitos, poltronas e janelas
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Quem já passou dias internado por causa de alguma doença ou à espera de uma cirurgia sabe o quanto é difícil enfrentar esses momentos. Valquíria Nunes de Quadros, de 83 anos, moradora do bairro Passagem, em Tubarão, recentemente foi diagnosticada com uma doença cardíaca. Ela poderá passar por um procedimento cirúrgico, porém tudo dependerá do seu quadro de saúde.

Internada no Hospital Nossa Senhora da Conceição (HNSC) em Tubarão, há pouco mais de uma semana, a mulher junto com os filhos e uma amiga, Vera Lúcia Cantelli Nunes, descobriram uma maneira de amenizar a rotina da idosa durante a internação. Ela  confecciona as bolinhas (contas do terço) com pétalas de rosa, que tem sido o seu passatempo preferido. São peças produzidas com amor e carinho, enquanto realiza o tratamento na unidade hospitalar.

De acordo com Vera Lúcia, que produz terços e dezenas com pétalas de rosa, a idosa passou a ajudá-la a confeccionar as contas há poucos meses. Anteriormente, dona Valquíria e outras quatro mulheres que pertencem à ‘irmandade de Santa Teresinha’ colaboraram na produção das lembranças da festa em honra a Santa Teresinha do Menino Jesus, realizada entre os últimos dias de setembro e 1º de outubro. A lembrança era uma gota de rosa.

Segundo Vera Lúcia, após a festa da paróquia, a senhora se dispôs a continuar trabalhando na causa de confeccionar as contas para os terços. “Depois de duas semanas, a dona Valquíria descobriu que tinha um problema cardíaco gravíssimo e talvez não pudesse passar pela operação. Combinei que passaria todos os dias na sua casa, que iríamos para a paróquia trabalhar juntas e assim, pensaria menos nessa situação. Porém, há poucos dias ela passou mal e precisou ficar internada”, expõe.

Na última segunda-feira, Vera Lúcia foi visitar a idosa e sugeriu que continuasse a confeccionar as bolinhas para preencher o tempo da senhora que está internada. “Ela é super ativa e gosta de estar na paróquia todos os dias. Sugeri levar algumas pétalas, cola, tesoura e isopor para ela fazer a confecção no hospital. Quando terminasse pegaria as contas com um dos filhos dela. Um cirurgião soube da proposta e afirmou que seria interessante para dona Valquíria manter a sua cabeça ocupada”, pontua.

Os filhos e uma sobrinha de Valquíria passaram a encaminhar para Vera Lúcia vídeos da idosa produzindo as contas. “Os servidores do hospital vão no quarto e todos ficam encantados com a produção. Ninguém imaginava que o terço poderia ser feito de rosas. Nesta quinta-feira, eles levaram para direção da unidade hospitalar os trabalhos realizados. Médicos pediram que fosse feito terços. Ela produz as contas e eu tenho a função de confeccionar o terço. O quarto da dona Valquíria virou um local de evangelização”, assegura.

Um dos filhos da mulher, Roberto Nunes de Quadro, 51 anos, destaca que o terço e a igreja significam muito para a mãe. Ela é muito devota de Santa Teresinha do Menino Jesus e está presente constantemente na igreja. “As rosas que são ofertadas na igreja, posteriormente são utilizadas para fazer os terços. Realizar este trabalho é gratificante para a minha mãe. A ação preenche a mente dela, tira o foco da doença e é uma maneira de evangelização. Hoje, o diferencial na vida da minha mãe é este trabalho. É uma peregrinação no quarto”, conta Roberto.

No quarto, a moradora da região Norte da Cidade Azul, ganhou a companhia de Mara Lúcia Fidelis Henrique, de 58 anos, que está aprendendo o ofício com Valquíria e que também fará parte da irmandade da paróquia Santa Teresinha do Menino Jesus. Neste sábado (20), a idosa recebeu a visita do pároco da paróquia do bairro Passagem, padre Edison de Souza Müller. “A dona Valquíria foi internada, mas não abandonou o seu trabalho com a produção de continhas de rosa, a sua terapia”, enfatiza.

A produção das contas e do terço de rosas é uma técnica criada por monges europeus. As continhas são feitas com pétalas de rosas que muitas vezes seriam descartadas. O trabalho minucioso e artesanal começa na separação das pétalas.  Na floricultura, essas rosas já não têm nenhum valor, mas nas mãos de Vera Lúcia, Valquíria e Mara Lúcia, é justamente o contrário.

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