Na busca pelo reconhecimento da paternidade do pai, Denise Correa descobriu que, na verdade, foi trocada na maternidade. Aos 31 anos, a mulher esperava colocar o nome do homem na certidão de nascimento, fez o teste de DNA e descobriu que também não tinha material genético compatível com a mãe, Dalila Correa.

Denise procurou, então, o Hospital de Juquiá (SP), onde nasceu, para pedir informações e explicações. Mas o hospital havia perdido todos os documentos durante uma enchente nos anos 1990. O caso se tornou público em 2013, foi coberto pela imprensa local, até que Lucélia Barbosa, que mora em Praia Grande, viu uma reportagem sobre o assunto, achou que poderia ser o bebê trocado e entrou em contato com a mulher. No primeiro encontro, Lucélia e Dalila, mãe de Denise, ficaram impressionadas com a semelhança entre as duas.

A troca foi confirmada depois de um exame de DNA. Denise é filha, na verdade, de Jesuíno Gomes Barbosa e Zelina Batista, enquanto os pais biológicos de Lucélia são Dalila e Olavo Correa.

As duas famílias entraram na Justiça contra o Hospital de Juquiá. Em 2015, Dalila recebeu R$ 75 mil e o pagamento de um tratamento psiquiátrico. “A Justiça é muito demorada. Com tudo que a gente já sofreu, foi uma coisa que mexeu com a vida de todo mundo. Eu estava trabalhando, não consegui mais ficar no emprego, tive uma depressão muito forte. Até hoje eu tomo medicação. Não consegui mais arrumar serviço. Esperávamos que isso fosse resolvido para agilizar um lado, o financeiro. Apesar que dinheiro nenhum vai pagar o erro que eles fizeram”, conta a mulher. Ela afirma que ainda não recebeu o dinheiro.

No ano seguinte, Lucélia fez um acordo com o hospital e deve receber R$ 80 mil. Em 2019, Zelina e Jesuíno ganharam a disputa e devem receber R$ 50 mil. Denise, que entrou em 2012 com um processo, ainda não teve resposta sobre o caso. “Foi tudo uma surpresa. De início, não foi fácil. Dinheiro no mundo não paga o que eu passei. Foram quatro exames de DNA. Fui em busca de um pai e vi que tinha uma outra mãe. Não foi fácil”, diz.

Famílias destruídas

Apesar de falar periodicamente com os pais biológicos, Lucélia e Denise seguem com suas famílias de criação e não se falam mais. O motivo da briga seria ciúmes.

“Eu não tenho contato com ela. Ela excluiu a minha mãe de criação, rejeitou a minha mãe, machucou muito a família. As irmãs que foram criadas comigo têm contato com ela. Eu não quis proximidade nenhuma. No começo, até quis, mas acabamos tendo um atrito”, afirma Lucélia.

“Ela sente muito ciúmes. Meu pai, minha mãe e minhas irmãs me receberam de braços abertos. Ela me afastou de algumas irmãs. Eu nunca quis ficar no lugar dela. Ela ficou incomodada, não aceita. Era para a gente ter uma troca de experiências”, diz Denise.