Tubarão

A previsão climática para a região de Tubarão não é nada boa esta semana. Conforme a meteorologista da Epagri/Ciram, Francine Gomes, os temporais isolados, como os registrados ontem e domingo na Amurel, devem continuar a ocorrer pelo menos até quinta-feira. “Na sexta, finalmente entra uma massa de ar seco e frio. O tempo fica mais estável e as temperaturas mais amenas”, explica.

O temporal que destruiu parcialmente três bairros de Capivari de Baixo, na noite de domingo, é característico da época. A chuva e o vento muitos fortes foram provocados por uma combinação bombástica: calor intenso e altos níveis de umidade. “É a combinação perfeita para a formação de núcleos de tempestades. E a região (Amurel) está bem no caminho de formação destes núcleos. É por isso que uma cidade registra muitos estragos e o município vizinho quase nada”, esclarece Francine.

A meteorologista lembra ainda que o catarinense desacostumou desta condição climática porque nos últimos três verões houve predomínio de estiagem. “Foram anos muitos secos nesta estação. Agora, como existe este transporte de umidade do centro-norte do país, há formação de tempestades mais frequentemente”, compara.
Ontem à tarde, mais um temporal transformou o dia em noite. Em Tubarão, a avenida Patrício Lima, em Humaitá, voltou a encher. Pontos de alagamentos também foram registrados nos bairros Dehon, Morrotes, Passagem, São Clemente, Vila Moema, Recife, Passo do Gado e Campestre. Em Braço do Norte, um muro caiu em cima da parede de uma casa. Ninguém se feriu e não houve risco estrutural na residência.

Trezentas pessoas
estão desabrigadas

Conforme o relatório preliminar da Coordenadoria Municipal da Defesa Civil de Capivari de Baixo (Comdec), disponibilizado na manhã de ontem, a estimativa é que 600 pessoas estejam desalojadas e outras 300 desabrigadas devido às ocorrências registradas durante a noite deste domingo, quando um temporal atingiu o município. A maioria das pessoas foi instaladas na escola municipal Don Anselmo Pietrulla. A prefeitura decretou situação de emergência ontem.

Pelo menos dez casas ficaram completamente destruídas e uma foi arrastada. A quadra de esportes no loteamento Camila amanheceu um amontoado de ferro. A construção foi praticamente destruída. Até agora, foram registrados prejuízos em 1,2 mil residências, quatro prédios públicos e 13 comunitários. Uma igreja evangélica, o Clube Três de Maio, a escola estadual São João Batista e Centro de Educação Infantil (CEI) Paraíso também foram afetados.

Ontem pela manhã, equipes formadas por pessoas da área da saúde da prefeitura e da secretaria de desenvolvimento regional (SDR), em Tubarão, começaram o cadastramento das famílias atingidas nos bairros Caçador e Três de Maio, as duas regiões mais atingidas, e Bandeirantes. Em toda a cidade, cerca de quatro mil residências ficaram sem energia elétrica. O problema foi solucionado ainda no domingo, pela Celesc. Segundo os registros do Corpo de Bombeiros e da Polícia Civil, 30 pessoas precisaram de atendimento médico.

“Quando chegamos, simplesmente
a casa havia desaparecido”

O rastro de destruição deixado pelo temporal que atingiu Capivari de Baixo, na noite de domingo, só pôde ser realmente observado ontem, quando o dia amanheceu. Houve ocorrências por toda a cidade, mas nada comparado com o contabilizado nos bairros Três de Maio, Loteamento Camila e Bandeirantes, os mais afetados.
Nestes pontos, árvores e postes de energia elétrica foram arrancados devido à força do vento, inúmeras casas destelharam, outras tombaram ou foram arrastadas.

Além das perdas materiais (desde motos e carros amassados por escombros até móveis e eletrodomésticos), há o abalo emocional. Não é fácil ver o esforço de uma vida de trabalho árduo desaparecer no vento.
O proprietário de uma residência de madeira no bairro Três de Maio soube pelos vizinhos que sua casa havia sido arrastada pela rajada de vento. “Saímos para ver os estragos assim que a chuva parou e tomamos um susto quando vimos que a casa praticamente deu uma cambalhota”, conta um morador.

No momento do ocorrido, a família estava fora, felizmente. Mas Israel Leopoldino Marcílio, sua esposa, Graziela de Medeiros José, e seus dois filhos estão inconformados. “Estávamos na casa da minha mãe. Por volta das 19h30min, quando retornávamos para a nossa, vimos a movimentação. As pessoas nos paravam no meio da rua e diziam que havíamos perdido tudo”, lamenta Israel. Ele e a esposa juntavam dinheiro para ampliar a casa. “Não sobrou nada. Nada. Agora, só podemos contar com a ajuda dos desconhecidos para superar tudo isso”, desabafa o cidadão.