Novas medidas passam a ser adotadas pelo governo federal em combate ao coronavírus e apresentadas para o sistema de saúde pública. Os processos de atendimentos sofrerão alterações por meio da descentralização dos atendimentos aos sintomáticos. O sistema está aberto desde esta quarta-feira (18), para ampliação de atenção primaria.

Em coletiva na tarde desta quinta-feira (19), o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, disse que o país começará a trabalhar com triagens mais rápidas e atendimentos com pequenos contatos nas unidades de saúde. “A partir de agora, todos os casos de tosse, dor de garganta, e febre, terão que ser tratados como coronavírus. Gripes comuns serão tratadas como coronavírus”, afirma.

Segundo o secretário de vigilância em Saúde, Wanderson de Oliveira, o país tem aprendido com o mundo ocidental. “Tentar transformar o pico que temos visto em alguns países em um morro. Para isso, casos leves serão atendidos e medicados. Vamos tratar todos os casos gripais como influenza. Principalmente porque no outono e inverno, os nossos índices hospitalares aumentam muito em todo o Brasil. Se conseguirmos diminuir o número de influenza, vamos aumentar o número disponível em nosso sistema”, detalha Oliveira.

A ação após diagnosticados e sendo casos leves, o paciente deverá permanecer 14 dias (do início dos sintomas) isolado, com monitoramento a cada dois dias talvez e as pessoas que vivem no mesmo ambiente deverão permanecer em isolamento também. O secretário usa um exemplo de uma casa com três pessoas. “Se eu fosse um caso, os outros dois de casa passam a receber também atestado. Quem for identificado como caso grave, será estabilizado antes”, pontua.

As pessoas com sintomas não devem recorrer aos hospitais nem procurar as emergências, mas aos postos de saúde. De acordo com o ministro, a prevenção é o melhor caminho. “Cerca de 80% dos casos são leves, idosos são mais vulneráveis. O isolamento domiciliar é a principal medida para a redução da transmissão. Por isso, os contatos domiciliares também seguem o mesmo isolamento. Primeiro na educação se não resolver vamos partir para a obrigação”, reforça.

Valores

O ministro reforça que foi destinado para a saúde um bilhão de reais para aumentar o atendimento. “Abriu o leito de UTI, imediatamente é autorizado. Abram unidades básicas para que as pessoas não tenham que ir para as UPAs e pronto-socorro, são os piores lugares. Descentralizar”, assegura. O país também toma medidas para a recolocação de médicos. 

Planos de saúde

Hoje o sistema de saúde tem duas ações paralelas, o SUS e os planos de saúde. “Se o SUS tem estratégia para descentralizar, o plano de saúde tem que tomar medidas”, explica. A agência nacional de saúde faz com que depositem recursos, que serve como garantia. O valor chega a 53 bilhões de reais depositados. 

“O Fundo Garantidor que desde 2013, 20% desse fundo pode ser utilizado para a construção de hospitais e esse setor vinha se utilizando muito pouco desse recurso por causa de muita burocracia. Tornamos a regra mais simples, e hoje pode-se usar 10 bilhões para o corona com menos burocracia”, explica.

A intenção é de que com a utilização deste recurso, os planos tenham mais condições de dar suporte às pessoas que utilizam só serviços, dessa forma, contribui para uma redução no fluxo de atendimentos em local equivocado, e “não tira o lugar de quem precisa”, pontua.

Recursos

Este final de semana um carregamento de EPI será entregue. Além disso, foram abertos mais 540 leitos. Serão repostas as vagas em aberto. “Aproximadamente 5 mil vagas e já há 7 mil inscritos, para trabalhar por um ano. Outra medida vem na próxima semana. Por meio de edital, os cubanos serão incorporados. Serão 1.8 mil para atender na saúde da família por 2 anos”, conta. 

Vacinas

O ministro pede que no primeiro dia as pessoas não façam fila. “Descentralizem ao máximo as aplicações de vacina. Essa semana praticamente todo os Estados receberam para essa primeira etapa. Primeiro idosos, profissionais de saúde”, ressalta.

Abrangência 

Se cada equipe ter em média quatro mil (pacientes) deveria ter 60 milhões de pessoas. “Cada um deverá ir atrás da sua área de abrangência. Agora é enfrentamento”, referindo-se aos agentes de saúde. “Peguem os idosos, monitorem todo mundo. Vocês conhecem eles por nome, isso pode ser fundamental nas comunidades mais carentes”, finaliza.

População

215 milhões de brasileiros

85% da população que é SUS

15% de planos de saúde