Briga na quinta-feira à noite é marcada por conflito de versões entre membros de uma mesma família. 

Sangão

Uma briga na manhã da última terça-feira em Sangão envolvendo um ex-prefeito do município ganhou novos capítulos nesta quinta-feira à noite. Em um novo confronto, na principal praça da cidade, foram disparados tiros de arma de fogo.

O desentendimento de terça pôs em lados opostos membros de uma mesma família. De uma parte, o ex-prefeito de Sangão Antônio Mauro Eduardo, 58 anos, e do outro o seu próprio primo, Luciano Braz Eduardo, 38. O motivo da rixa é incerto: enquanto Mauro fala em divergências políticas nascidas da eleição suplementar que vai escolher o novo prefeito de Sangão em 2 de abril, Luciano nega. Em sua versão, o caso começou por problemas particulares.

O episódio mais recente, de quinta-feira à noite, também se tornou uma disputa de narrativas, e caso de polícia. Cada um dos lados tem a sua versão. A Polícia Militar esteve no local da briga, mas não encontrou sinais de confronto, nem testemunhas dispostas a contar o que viram. Luciano, por sua vez, afirma que desde terça-feira era ameaçado por Mauro e os filhos Marcos, 28, e Ricardo, 24. Ele, que é chefe de gabinete em Sangão, estava com o pai Braz Eduardo, 64, assistindo a sessão da Câmara, como faz toda quinta-feira.

Luciano conta que na saída o grupo de Mauro estava à sua espera para um acerto de contas. Houve uma briga do lado de fora, mas ele e o pai decidiram ficar na Câmara até os ânimos se acalmarem. Quando iam para casa, os dois, que seguiam no carro de Luciano, encontraram Marcos e Ricardo sentados na praça central da cidade. Luciano diz que aproveitou e pediu para eles interromperem a rixa. Foi aí que, segundo o chefe de gabinete, um dos rapazes tentou agredi-lo, foi até outro carro, sacou um revólver e começou a atirar.

Era por volta das 20 horas, e a praça estava movimentada. Na versão de Luciano, um dos tiros pegou na porta de seu Chevrolet S10. “Respondi em legítima defesa. Foram seis tiros de cada lado”, afirma. Ricardo é quem teria atirado. Na sexta à tarde, Luciano foi à delegacia de Jaguaruna prestar depoimento e entregar a arma.

Família de Antônio Mauro diz que não reagiu a tiros
Marcos confirma que esteve com o irmão na Câmara, até o momento da briga, com a qual eles não teriam nenhuma relação. De lá foram até a praça buscar a irmã Patrícia, 20, que estava saindo de sua clínica odontológica. Foi quando Luciano e o pai chegaram e teriam dado início à discussão. Ricardo teria segurado a porta do carro para que Luciano não saísse. Nesse momento, afirma Marcos, o Luciano teria começado a atirar contra eles.
Marcos e Ricardo conseguiram se esconder, mas Patrícia, em pânico, teria ficado no meio da estrada, entre Luciano e o Sandero, de Ricardo. Mauro estava em outro bairro fazendo campanha e garante que os filhos nem mesmo possuem armas. Marcos também nega que eles tenham atirado. Em sua versão, os tiros partiram apenas de Luciano.

Primos divergem sobre motivos dos desentendimentos
Sobre a briga de terça-feira, Luciano diz que começou por causa de uma obra feita por ele em parceira com Mauro em 2015. Luciano cede a mão de obra, enquanto o primo comanda uma empreiteira. O chefe de gabinete diz que não faria um reparo porque, segundo ele, não constaria no contrato. Do bate-boca, partiram para a luta corporal, que terminou com Luciano mordendo o nariz de Mauro.
O ex-prefeito afirma que o desentendimento se arrasta desde que ele saiu do PP e foi para o PSDB. Seu apoio ao candidato rival estaria desagradando a parte da família que ficou no PP.