Se a casinha dos guarda-vidas estiver com a bandeira lilás, é melhor não entrar no mar ou se fizer isso, saiba que o risco de ter contato com as águas-vivas é elevado. Conforme o biólogo do Museu de Zoologia da Unesc, Rodrigo de Freitas, a temperatura da água elevada tem relação com os casos.

Entre os dias 12 de dezembro e 5 de janeiro, foram registrados 20.358 casos de contatos com água-viva em Santa Catarina. Essa tem sido uma reclamação constante de banhistas que se refrescam no Balneário Rincão e também no Balneário Arroio do Silva. Mas, segundo o capitão Renan Fernandes, do Corpo de Bombeiros de Içara, os números são positivos.

“Acompanhando no estado tivemos uma redução considerável neste período”, afirmou. “Tivemos uns anos anteriores como uma incidência grande, tem umas pessoas que são alérgicas, então criamos a bandeira lilás, quando ela está instalada, isso significa que na área tem muitas águas-vivas, então usamos para sinalizar se ali tem ou não”, completa o capitão.

Estimativas indicam que a cada ano 150 milhões de casos de queimaduras por águas-vivas são registrados no mundo inteiro. Logo que acontece o contato, a pele sente uma ardência, já aquelas que causam problemas circulatórios e neurológicos não existem em nosso país.

“A reprodução também acontece para cá, então tem esse número grande em algumas praias da região, aqui no sul é comum que elas aparecem. Depende de uma corrente marinha, naquele momento que elas estão se deslocamento, como aconteceu no Farol de Santa Marta há umas três semanas, tinha um vento influenciando naquele momento”, disse o biólogo.

A temporada das águas-vivas deve seguir até o fim de fevereiro. O número destas populações varia de acordo com as correntes marítimas e também pelo deslocamento do vento. Nesta temporada, as que apresentam estrutura gelatinosa em cima e tentáculos embaixo estão aparecendo com força nas praias da região, elas são da espécie caravela.

“A gente acaba notando mais porque em épocas quentes as pessoas vão mais para as praias, os balneários ficam mais cheios de gente. O que a gente sempre procura trazer de dica é para as pessoas verificarem com os salva-vidas, porque normalmente eles já sabem se tem incidência”, comenta Rodrigo.

Tive o contato, o que fazer?

Por sorte, no Brasil as águas-vivas são menos perigosas do que as de outros países, existem espécies mortais na Austrália, contou Freitas. Algumas pessoas podem ser alérgicas e apresentarem condições adversas ao serem tocados por estes animais aquáticos, mas a única forma de saber é tendo o contato.

E se for pego por uma delas, que também são conhecidas como medusa, o recomendado é lavar a região com água do mar, para remover os tentáculos que possam ter ficado na pele, usando uma pinça, em seguida, a aplicação de compressas com vinagre é interessante. Pasta de dente e urina são substâncias que não colaboram com o tratamento.

“Não pode passar água doce, porque será liberado mais toxina, então use sempre o vinagre. Também não é indicado tomar banho de chuveiro”, finaliza o biólogo.