Climatologista Rafael Marques prevê que a temperatura, para esta semana, deverá seguir o padrão e continuar bem baixa
Climatologista Rafael Marques prevê que a temperatura, para esta semana, deverá seguir o padrão e continuar bem baixa

Zahyra Mattar
Tubarão

Quem mora na área rural de Tubarão sentiu na pele o frio na manhã de ontem. Por volta das 6h40min, a temperatura estava próxima a 0ºC, com sensação térmica de -1,5ºC. A geada deixou os campos, árvores, casas e carros cobertos por uma camada fina de gelo. Um pouco antes disso, às 5h26min, o termômetro da estação meteorológica Oregon, no bairro Vila Moema, marcava miúdos 2.3ºC.
 
Nos termômetros do centro da cidade, o registro foi de 2ºC na manhã de ontem. A máxima não passou de pequeninos 17.2ºC. A diferença na temperatura de uma região para outra na cidade é explicada pelos fatores ambientais, esclarece o climatologista Rafael Marques.
 
“No campestre, Passagem, Andrino e outras localidades mais para a periferia, a temperatura é sempre menor do que no centro da cidade. Isto porque são regiões onde há mais verde. Na área urbana, há movimento de carros e pessoas. Tudo isso influência”, atesta Rafael.
 
Na estação Oregon, a medição é um pouco mais precisa porque é feita por um sensor, instalado sob uma cobertura. “Isto evita que a umidade interfira na medição”, completa o climatologista. Nos equipamentos do centro (um fica no Mercado público; o outro em frente ao HNSC), a temperatura é sempre menor no inverno e maior do verão.
 
“Isto porque estes termômetros ficam dentro de uma caixa preta, que não é ideal, porque esta cor capta calor. Além disso, são equipamentos com pouca precisão e instalados em locais movimentados. Então, a diferença é sempre alguns graus superiores. De qualquer forma, servem para dar uma ideia de como está a temperatura”, detalha Rafael.
 
E essa tal de sensação térmica?
Ontem, às 20h10min, a estação meteorológica Oregon, na Vila Moema, em Tubarão, marcava a temperatura de 9.4ºC. A sensação térmica era de pelo menos 8.4ºC. Isto porque a umidade relativa do ar estava em 60%. E o valor somente não foi menor porque não havia vento neste horário.
 
No inverno, é o vento que dita a sensação térmica. Quanto mais forte sopra, mais o frio é sentido. No verão, a umidade relativa do ar é a vilã. Quanto maior é o percentual, maior é a sensação de calor e abafamento.
 
“Quanto mais o tempo está seco, menor é a sensação térmica. Exemplo: se a temperatura está em 10ºC, você vai sentir o frio de 10ºC. Mas, quando tem vento, a temperatura está em 10ºC e a sensação térmica é de 9ºC, às vezes 8ºC, ou até menor. Aí depende de quantos quilômetros por hora o vento está”, explica o climatologista Rafael Marques.
 
Pode não parecer, mas estes valores de temperatura tão baixos são normais para Tubarão e região. O clima, explica Rafael, é um ciclo. Números pequenos assim, e até negativos, foram registrados na Cidade Azul nas décadas de 60 e 70. “Como temos um ciclo, tudo repete-se. Teremos invernos mais frios neste e no próximo ano, no mínimo”, antecipa o climatologista.
 
SC-438 é monitorada e fechamento não é descartado
A exemplo do que ocorreu nesta segunda-feira, a SC-438, no trecho da Serra do Rio do Rastro, amanheceu ontem com uma grossa camada de gelo sobre a pista. Patrulheiros da Polícia Militar Rodoviária (PMRv) do posto de Bom Jardim da Serra removeram as placas e utilizaram sal para evitar que a água sobre a pista voltasse a congelar.
 
A rodovia é monitorada a cada meia hora. Caso haja formação de muito gelo, poderá ser interditada no trecho da serra. “Quem puder deve evitar trafegar por aqui (na serra). A dica é ter paciência e andar muito devagar, não mais do que 30 quilômetros por hora. Também observamos o desprendimento de pedras e galhos que congelam e caem sobre a pista. Todo cuidado é pouco”, avisa o primeiro-sargento da PMRv, Luiz Cesar Manoel.