Zahyra Mattar
Tubarão

É possível formar leitores nestes tempos de internet? É sim, garante a professora de informática do Colégio Dehon, de Tubarão, Patrícia Lima. O trabalho desenvolvido por ela com as turmas de 1º ao 4º ano do ensino fundamental já começa diferente por ser interdisciplinar. “Não é apenas ensinar a formatar um texto em algum programa, mas trabalho como eles podem usar a tecnologia a seu favor, aprender com isso e ainda complementar o ensinado em outras matérias, como português e matemática, por exemplo”, destaca a professora.

No começo do ano, o corpo docente elegeu como projeto central para ser desenvolvido com os alunos a temática “A Beleza de olhar o mundo”. Dentro da disciplina de informática, Patrício criou o subprojeto “Lendo e Aprendendo”, desenvolvido no mês passado. A ideia surgiu a partir de uma pesquisa de preferência feita com alunos do colégio. Entre os estudantes do ensino fundamental, 59% disseram que gostam mais de ver TV, jogar vídeogame ou navegar na internet a ler um livro.

“Ficamos preocupados com isso, mesmo porque a idades deles (entre 6 a 10 anos) é justamente aquela do descobrimento. Se não forem incentivados a serem leitores agora, não serão mais”, avalia a professora. E competir com a internet é difícil, mas é tão possível quanto vencer esta batalha, garante Patrícia. “Não acredito que proibir a criança de usar o computador ou limitar o uso por uma ou duas horas por dia seja o caminho. O importante é o que fazem no computador durante este tempo”, ensina.

E é justamente isso que ela trabalha com as crianças. Em vez do não, ela os orienta a procurar o que há de bom na rede. “Existe uma riqueza enorme na internet. A tecnologia existe para nos ajudar. Porém, as discussões do uso desta tecnologia é muito mais lenta do que o avanço dela. O melhor é ensinar os futuros internautas como selecionar o que deve ser acessado. É o mesmo que ensinar que não devem falar com estranhos na rua. Só que o ensinamento será direcionado para o uso apropriado das tecnologias, como máquinas digitais ou um MP3, não apenas a internet”, compara a professora Patrícia.