Um grupo de argentinos surdos-mudos, acompanhados por surdos-mudos italianos que foram vítimas de abuso sexual por religiosos na infância, solicitou nesta quinta-feira (13/2) uma audiência com o Papa Francisco, a quem acusam de ter encoberto seus casos.

“A Santa Sé, incluindo o papa Francisco, poderia ter agido para impedir a violência sexual e física generalizada contra crianças surdas cometida por padres, freiras e pessoal administrativo do Instituto Antonio Próvolo, instituição educacional e religiosa para surdos da província (argentina) de Mendoza”, afirma uma declaração da organização internacional ECA (“Ending Clergy Abuse”, ou “Interrompendo Abusos do Clero”, em tradução livre).

As vítimas surdas-mudas solicitam um encontro com o papa argentino durante sua estada em Roma, de 20 a 22 de fevereiro.

A demanda foi tornada pública depois de não receberem resposta ao pedido enviado de forma privada ao Vaticano, explicaram na nota. “Fomos violentados, abusados sexualmente e torturados fisicamente por padres, freiras e laicos… Nossa história alcança o cerne do encobrimento desses crimes em nosso país. Os crimes não eram secretos nem para ao funcionários da igreja na Argentina, nem para os funcionários do Vaticano”, afirmam no comunicado.

Acompanhadas por seus advogados, as vítimas desejam apresentar um relatório sobre o caso em que acusam o Vaticano e o papa de encobrimento. O relatório será entregue também à comissão dos direitos humanos da Organização das Nações Unidas em Genebra, na Suíça.

Em novembro, dois padres foram condenados na Argentina a mais de 40 anos de prisão por abuso sexual e estupro de crianças surdas em um internato em Mendoza. Um dos condenados, Nicola Corradi, de 83, é um padre italiano que havia sido denunciado no Vaticano em 2009 por abusar sexualmente de crianças surdas em Verona, norte da Itália, lembram as vítimas.

É por isso que um grupo de italianos surdos-mudos de Corradi acompanhará os argentinos durante sua viagem à península.

“Notificaram repetidamente a Santa Sé e o papa Francisco que o padre havia se mudado para a Argentina, onde mais uma vez trabalhou em escolas para crianças surdas”, diz a nota da ECA, que lamenta que “o Vaticano e o papa Francisco soubessem do abuso e não tenham agido”.

“Devido a isso, o sofrimento das crianças surdas da escola de Mendoza continuou”, acrescentaram.