Wagner da Silva
Braço do Norte

Uma comitiva de suinocultores, representantes de associações e sindicatos de Braço do Norte reuniram-se com o secretário estadual de agricultura, Antonio Ceron, em São Martinho, para solicitar maior empenho do governo em busca de uma saída para o momento desfavorável do setor na região. O Vale do Braço do Norte concentra 45% dos produtores independentes e é responsável por 18% da produção do estado.

Os altos e baixos que afetam o setor há mais de uma década não podem ser comparados com os problemas ocorridos no último ano. A situação é considerada a pior de todos os tempos. O reflexo disso é a diminuição no consumo, no preço e na produção dos suinocultores independentes, que passaram a optar pela integração às grandes agroindústrias.

Paralelamente, o equívoco de registrar influenza A como gripe suína gerou reflexos negativos e afetou ainda mais o consumo de carne. O preço do quilo, que já chegou a patamares acima dos R$ 3,00, hoje não passa de R$ 1,70. O prejuízo é de R$ 0,45 ao produtor.

Na tentativa de sensibilizar o estado para a situação caótica, o secretário de agricultura e meio ambiente da prefeitura de Braço do Norte e presidente regional da Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS), Adir Engel, apresentou alguns produtos adquiridos em diversos mercados do estado. “O cidadão paga caro para consumir e o produtor paga mais ainda para trabalhar. Esta é a realidade hoje”, expôs.

Entre as reivindicações da categoria, está a interferência do governo para que seja taxado um preço mínimo do quilo do suíno retirado da granja. Reuniões com os principais frigoríficos do estado, associações dos supermercadistas e de produtores integram a pauta.

Secretário afirma que discussões
serão retomadas ainda neste mês

As reivindicações feitas pelos produtores rurais do Vale do Braço do Norte ao secretário estadual de agricultura, Antonio Ceron, serão levadas adiante. A promessa é do próprio secretário. Ele anunciou que na próxima semana, juntamente com uma comitiva da região, irá reunir-se na Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para tentar aumentar o repasse e diminuir o preço do milho, o principal insumo utilizado pela categoria. Também na próxima semana, Ceron agendou um encontro com o Sindicarne para expor algumas observações.

“Não é o momento de procurar o confronto com as agroindústrias, e sim de levar ao conhecimento das empresas a realidade apresentada na região do Vale”, analisa o secretário. Ceron admite que o setor vive situação delicada, mas pondera que são as grandes empresas as responsáveis por ditar as leis de mercado. O secretário acredita que somente a busca de novos mercados podem alterar o curso da crise no setor.