Produtores como Inivaldo Frener Ricken não tiveram um ano fácil, mas acreditam que 2010 será melhor.
Produtores como Inivaldo Frener Ricken não tiveram um ano fácil, mas acreditam que 2010 será melhor.

Carolina Carradore
Tubarão

O ano de 2009 não foi dos melhores para os produtores de suínos do estado. Além da crise mundial, que inibiu as exportações, o setor amarga os prejuízos causados pela nova gripe A (H1N1), chamada inicialmente de “gripe suína”, e que erroneamente fez a população associar a transmissão da doença ao consumo da carne de porco.
O nome da gripe ficou na mídia e, com o aumento dos casos no inverno, o consumidor diminuiu o consumo. A queda ficou entre 15% e 20 %, em Santa Catarina, segundo informa o presidente regional sul da Associação Catarinense de Criadores de Suínos, Adir Engel. Em 2008, o consumo interno de carne suína registrou aumento de 100 mil toneladas e ingestão per capita de 13,44 quilos por ano.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) interveio, afirmando que o consumo da carne não era responsável pela transmissão da gripe, mas o medo tomou conta do consumidor que resolveu optar por outros tipos de carnes.
A queda do consumo afetou também as vendas do produtor. Durante todo o ano, o quilo do animal oscilou entre R$, 2,10 e R$ 1,50. Há dois meses, veio o alívio e o preço de R$1,60 chegou a R$ 2,30. “Também tivemos um aumento nas vendas devido às festas de fim do ano, mas sei que, em janeiro, a queda será inevitável”, calcula Adir.

E os problemas no setor não se limitam a isso. A crise mundial diminuiu as exportações, que caíram 49,7% no último bimestre do ano passado e os preços da arroba despencaram de R$ 70,50 em setembro para os atuais R$ 39,80. “Não chegamos a estocar, mas encerramos o ano no vermelho e esperamos que em 2010 ocorra a abertura de novos mercados para exportação”, analisa Adir.

Produto saudável
• A proteína suína atende com tranquilidade todas as exigências científicas, que estabelece uma ingestão máxima de 300 miligramas por dia de colesterol. A ingestão de 100 gramas de lombo suíno, por exemplo, apresenta apenas 72,8 mg de colesterol, menos de 25% do total permitido.

• Outra curiosidade é o fato de a carne suína ser indicada para os hipertensos. Isso porque, quando comparada às outras carnes, apresenta um menor nível de sódio, mineral responsável por acentuar a hipertensão. Enquanto o lombo suíno possui 58 mg de sódio em cada 100 gramas, o filé mignon e o peito de frango sem pele possuem, respectivamente, 61 mg e 74 mg.

Produtores desanimados

Santa Catarina reúne 12 mil produtores. O Vale de Braço do Norte concentra 45% dos produtores independentes e é responsável por 18% da produção do estado. Os produtores da região reclamam da situação, considerada a pior de todos os tempos. O reflexo disso é a diminuição no consumo, no preço e na produção dos suinocultores independentes, além do rótulo de “gripe suína” à influenza A (H1N1).

Valério Phelippe, produtor de Braço do Norte, busca alternativas para sair do vermelho. Ele chegou a vender a R$ 1,50 o quilo e atualmente consegue comercializar a carne a R$ 2,30 com frigoríficos das regiões sul e norte do estado. A situação só não foi pior porque conseguiu tapar o prejuízo causado no plantel de 50 matrizes, com a criação de 35 vacas. “O gado foi bem e me auxiliou um pouco, mas o ano foi muito difícil”, reclama. Ele também sofreu com a falta de exportação e espera que a situação melhore.

Já o produtor Inivaldo Frener Ricken, resolveu aumentar a produção e fechou o ano com 1,3 mil matrizes. Uma atitude arriscada, mas que deu certo para o suinocultor que exportou o produto por meio da Perdigão.
Porém, ele sofreu com a redução na margem de lucro. Em 2009, ganhou com cada cabeça de R$ 8,00 a R$ 10,00. Nos anos anteriores, o lucro não baixava de R$ 30,00. “Hoje, quem quer permanecer na atividade tem que ter produtividade”, ressalta.

Carne livre de vírus

Apesar da chegada do verão e da queda considerável de casos de gripe, a Cidasc continua realizando análise semanal da carne suína. Até agora, segundo o diretor da sanidade animal da Cidasc em Tubarão, Iraê Antônio Pizollati, não há nenhuma notificação de gripe H1N1 em animais.

Ele explica que o organismo do novo vírus possui apenas 20% de proteína suína. Ou seja, a maior parte é formada por proteínas humanas e de aves. “As pessoas têm que ter consciência que a carne suína, além de ser rica em diversas vitaminas e minerais, possui pouca caloria e apresenta menos colesterol do que as carnes de frango e bovina”, afirma.