Laguna

 
O dia de ontem começou ainda na madrugada para os pescadores artesanais de Laguna. Com o fim do defeso da tainha, barcos e homens dividem o alimento do mar e garantem o sustento da família!
 
Os barcos saíram logo cedo para alto-mar. Cada um tem capacidade para trazer 30 mil quilos do peixe. Alguns chegam a ficar mais de 20 dias além do horizonte.
 
Em terra, os pescadores dos Molhes seguem os botos e aguardam o vento sul soprar forte para trazer fartura. Ontem, o dia não foi bom para os profissionais.
 
A água clara, o pouco vento e ondas não proporcionaram o resultado esperado no Mar Grosso. Mas nada que desanime, especialmente os mais experientes. “Daqui a pouco, o frio bate e a peixarada aparece”, prevê Wilson Francisco, o Safico, pescador de tarrafa há mais de 15 anos. 
 
Além da pesca nas encostas, nas praias e nos Molhes, com auxílio dos botos, Laguna é bastante famosa pelos arrastões na região do Farol de Santa Marta.
 
Com barcos com redes, os pescadores vencem o mar. Do alto das encostas, o olheiro tem a missão de indicar o caminho dos cardumes. E lá se vai a rede para a água, o peixe para a rede, e comida a comida para a mesa.
 
Do mar para a mesa do consumidor
Antes do amanhecer, os primeiros pescadores chegam no Molhes, na praia do Mar Grosso. O objetivo é guardar lugar na fila “da jogada da rede”. Os mais experientes chegam por volta das 3 horas. O primeiro raio de sol anuncia o começo do dia de trabalho.
Quem pescar qualquer quantia de peixe cede o lugar para o que está na fila. Quando faz muito frio, os pescadores montam uma espécie de palanque de ferro móvel sob a água no canal da barra.
Além de proporcionar um espetáculo a mais – parece que eles andam sobre as águas – os profissionais conseguem visualizar melhor o peixe e jogar a tarrafa com mais precisão e perfeição.
O rodízio segue o dia inteiro. Além da pesca no canal, as melhores pedras ao longo do quebra-mar também são concorridas em dias de vento bom.
O pescador Elias Mattos é “tarrafeiro do Molhe”. Em dia bom, chega a vender mais de 70 tainhas ali na areia mesmo. No Mercado Público, no Centro Histórico, a espécie pode ser encontrada por R$ 6,00 o quilo.
 
   
O pescador Elias Mattos é “tarrafeiro do Molhe”. Em dia bom, chega a vender mais de 70 tainhas. O quilo hoje custa cerca de R$ 6,00 no mercado Público de Laguna
Fotos: André Luis Bacha/Prefeitura de Laguna/Notisul