Zahyra Mattar
Tubarão

Todos eles têm família, trabalham, a maioria tem filhos e vários afazeres todos os dias. E todos deixam tudo de lado por algumas horas para se dedicar a uma função mais que especial: o voluntariado. As pessoas que auxiliam na separação dos donativos recebidos em Tubarão a serem enviados aos desabrigados pelas enchentes que destruíram o norte catarinense há três semanas merecem mais que um monótono parabéns.
Advogadas, professoras, técnicas em segurança do trabalho, aposentados, empresários. Todos uniram-se em torno de uma causa tão nobre quanto a própria vida: ajudar pessoas que não sabem quem são.

“Aqui não existe coordenador de trabalho. Existem pessoas que querem fazer a diferença. E acredito que fizemos. O tubaronense respondeu de forma fantástica ao chamado para doar. E é maravilhoso saber que já saiu de nossa cidade 11 caminhões de esperança para nossos irmãos do norte”, orgulha-se o aposentado Rodolfo Meyer.
A advogada Silvana Zardo busca a filha de 3 anos na escola e segue, firme e forte, para o ginásio Jacob May, onde estão concentradas as doações. O roteiro é o mesmo desde que Santa Catarina foi arrasada pelas chuvas, em novembro. “O que fazemos é tão pouco, mas muito recompensador. Aprendi a enxergar o meu próximo como um ser humano e não com olhos de piedade, mas de que é possível sempre recomeçar”, valoriza.

Ontem, ela, Rodolfo, a professora Tânia Mara Rosolem, a técnica de segurança do trabalho, Verônica de Souza Frazão, e o pequeno grande Vinícius Gabriel Antunes Cruz, de 10 anos, formaram a equipe de frente para organizar os montes de alimentos, objetos e roupas que não param de chegar. “Acho bonito o que ocorre aqui. Não tem idade para ajudar e vi pessoas que não têm muito dando o seu pouco para quem ficou sem nada”, valoriza Vinícius, que veio de Biguaçu passar férias com o avô Rodolfo e se pôs como voluntário.
Este mesmo grupo foi até Gaspar no fim de semana passado para ajudar a montar cestas básicas. Voltaram com mais força ainda para continuar o trabalho aqui. “Quem viu o que vimos nunca mais terá coragem de reclamar da vida”, pontua a professora Tânia, seguida de um “eu concordo”, de Verônica.