Uma parceria entre a Engie, maior geradora de energia privada do Brasil, e a startup RoadLabs começa a dar os primeiros resultados práticos, confirmando as vantagens da aproximação entre grandes corporações e pequenas empresas de tecnologia. O trabalho conjunto começou em 2018 por meio do LinkLab, programa de inovação aberta da Associação Catarinense de Tecnologia (Acate). Especializada na gestão de conservação de rodovias, a RoadLabs foi “desafiada” pela Engie a desenvolver um software aplicável ao negócio da geração de energia. Assim surgiu o HidrOS, plataforma digital híbrida utilizada em dispositivos móveis e desktop, que automatiza processos de gestão de equipes e serviços em reservatórios de hidrelétricas.

“Investimos em torno de R$ 40 mil no desenvolvimento de um Produto Mínimo Viável e mais R$ 30 mil na fase de testes”, conta o gerente de estratégia e inovação da Engie Brasil Energia, Alexandre Zucarato. “Em um curto período, já foi perceptível o seu benefício e decidimos aperfeiçoar a ferramenta para aplicar em todas as nossas usinas hidrelétricas”. Na sua avaliação, parcerias como esta ajudam a oxigenar a mentalidade das grandes empresas, que são pautadas por processos robustos de controle, diferentemente das startups, mais ágeis e informais. “Nós nos permitimos experimentar e prototipar de forma rápida, sem nos preocuparmos com a cara da solução”, relata o executivo. Ele acrescenta que o produto atendeu plenamente as expectativas e agora está em fase de consolidação, incorporando requisitos para atender ao padrão corporativo das soluções de tecnologia da informação.

O HidrOS está sendo utilizado para atender todos os serviços ambientais realizados nos reservatórios das Usinas Hidrelétricas de Itá (divisa SC/RS), Machadinho (divisa SC/RS), e Passo Fundo (RS), cujos perímetros são de 760 km, 500 km e 606 km. Somados, eles equivalem a um quarto da extensão do litoral brasileiro. As ações realizadas rotineiramente incluem o registro de todas as ocorrências ambientais verificadas pelas equipes de fiscalização, o controle da execução de projetos e uma ampla gama de controles para a gestão dos monitoramentos ambientais. Dados preliminares apontam uma redução de até 30% no esforço para coletar e organizar as informações e em até seis horas no tempo de atendimento das urgências e emergências. Espera-se obter uma economia de 10% nos próximos serviços contratados.

“Conforme os contratos de concessão e as licenças de operação dos empreendimentos, temos a obrigação de zelar, conservar e monitorar as condições ambientais de toda a extensão dos reservatórios”, explica o analista de meio ambiente da Engie Brasil Energia, Cid Ionceck. “O valor atualmente investido em ações ambientais fica entre 30% e 40% do orçamento anual, dependendo de cada usina”. A Engie pretende implantar a nova plataforma nos seus 13 ativos de geração hidráulica no Brasil, para melhorar a tecnologia da gestão das informações geradas a campo, agilizar as comunicações entre as equipes, atuar de forma preventiva, reduzir custo e aumentar a produtividade.