Sirlei Cesarina Pereira foi adotada ainda bebê por um casal de agricultores. Tudo que conheceu do seu passado é que sua mãe biológica não tinha condições financeiras de criá-la

Jailson Vieira
Capivari de Baixo
A dona de casa Sirlei Cesarina Pereira, 56 anos, que reside em Capivari de Baixo, sonha em encontrar o pai biológico. Ela o procura há anos e até poucos meses não tinha nenhuma pista dele. Recentemente soube que o seu nome era José Mariano e que morava no bairro Próspera, em Criciúma.
Conforme Sirlei, ela chegou a procurá-lo no local onde ele residia, porém, ao chegar na localidade, viu que não havia mais uma simples casa, mas agora uma grande rede de supermercados. As moradias ao lado da antiga residência também foram vendidas para a construção do empreendimento.
Ela relata que foi entregue a uma família quando tinha apenas um dia de vida. A mãe biológica, Cantalícia Emídio Machado, não podia cuidar de mais uma criança, pois tinha três filhos mais velhos, com idades entre três e sete anos. “Fui conhecer a minha mãe com pouco mais de 25 anos. Sempre pensei que fosse filha da dona Cesarina Bibiana Pereira e do seu José João Pedro. Foram eles que me deram amor, educação e uma família”, conta.
Quando engravidou em 1959 da filha mais nova, Cantalícia estava separada e namorava com José, de acordo com Sirlei. “Soube no colégio que era filha do coração, não se sabe a causa que os meus pais esconderam isso de mim, talvez por medo de perderem a filha. Meus tios sabiam quem era a minha mãe e depois de alguns anos me apresentaram a ela. Logo depois da minha adoção, ela e meus três irmãos biológicos foram morar em Porto Alegre e retornaram anos depois a Santa Catarina e residiam em Içara”, explica.

Pais adotivos e mãe biológica de Sirlei morreram anos atrás
Sirlei nasceu na localidade de Morro Azul, Pontão, em Jaguaruna, e morou lá por muitos anos. Os seus pais adotivos eram proprietários de um engenho de farinha, moedor de arroz e plantavam fumo, contudo, a sua infância e adolescência junto com os dois irmãos adotivos, filhos biológicos de Cesarina e José João, sempre foram humildes. “Nunca tivemos nada para esbanjar até porque não tinha como. Sempre o suficiente para viver e continuo assim até hoje”, salienta.
A mãe biológica e os pais adotivos de Sirlei faleceram há alguns anos. Ela diz que sempre teve um bom relacionamento com a sua mãe e também com aqueles que a tiveram como filha. “Também me dou bem com os meus irmãos do coração e com os biológicos. Entretanto, com os filhos da minha mãe biológica não temos muito contato”, afirma.

Sirlei também não conhece um de seus oito filhos
Além da busca incessante pelo pai que hoje deve ter entre 78 e 85 anos, Sirlei Cesarina Pereira também procura por um filho de 20 anos. Ela contou que teve oito filhos com o seu esposo. A mais velha tem 28 anos, e com o mais novo, a quem ela registraria como Douglas, não pôde ter contato.
“Acredito que ele não saiba que também é um filho do coração. Se pudesse teria todos os meus filhos comigo. Tive uma filha que hoje teria 27 anos. Ela morreu há 15 anos, não há dia que não lembro dela, é muito triste. Tenho sofrido muito. Infelizmente a vida nos prega algumas peças, não conhecer o meu pai biológico é um deles, não poder ficar com um filho, segundo algumas pessoas, por você ser pobre, é outra e a morte da minha filha. O que conforta é que ela está com Deus”, diz.
Sirlei acredita que, mesmo com todos os percalços, um dia poderá encontrar, além de seu pai, o filho mais novo, que não pôde criar. “O sofrimento dura uma vida inteira. Acredito que ele seria amenizado com este encontro. Não que não esteja bem. Sou alegre com os meus filhos, marido, netos e os demais familiares, mas sempre falta algo”, comenta.
Ela conta que o pouco que sabe de seu pai é que, além de ele ter morado por muitos anos no bairro Próspera, José Mariano trabalhou como porteiro em um hospital, também em Criciúma. “Uma pessoa que conhecia ela e sabia da história mostrou para a minha filha mais velha há alguns anos o avô, porém, não deixou que ela se aproximasse dele. Infelizmente quando soube do ocorrido e esclareci a história do meu pai para a minha filha ele já não residia mais no local”, lamenta. O telefone de contato de Sirlei é (48) 99817-9544.