Anthony afirma que a esposa e o filho foram fundamentais na cirurgia. Ele lembra que pensou muito neles no momento do procedimento  -  Foto: Juan Todescatt/Band SC/Notisul
Anthony afirma que a esposa e o filho foram fundamentais na cirurgia. Ele lembra que pensou muito neles no momento do procedimento - Foto: Juan Todescatt/Band SC/Notisul

Jailson Vieira
Tubarão

Vida nova e que segue. Após três meses de um desconforto na cabeça e na espera por uma cirurgia para a retirada de um tumor cerebral, o bancário nascido em Braço do Norte, Anthony Kulkamp Dias, 33 anos, fez algo inédito durante o procedimento cirúrgico a que foi submetido e comoveu muitas pessoas. Ele ficou acordado durante as nove horas da cirurgia no Hospital Nossa Senhora da Conceição, em Tubarão.

Neste período, tocou violão e cantou músicas variadas. Atualmente, ele gerencia uma unidade bancária em Monte Castelo, no norte do estado. “Sempre acreditei que sairia bem da cirurgia. O tumor foi descoberto 15 dias após o nascimento do meu filho e, desde então, acreditava que tinha uma longa vida pela frente e teria que estar com ele e com minha família. Creio em Deus e isso me deixou tranquilo”, afirma.

A ideia de tocar e cantar ocorreu um dia antes do procedimento. O braçonortense conta que o objetivo de realizar a cirurgia acordado foi apropriado, pois envolvia a parte responsável pela coordenação motora, fala e memória. O método é utilizado para evitar grandes problemas e garante a qualidade de vida do paciente. 

“Logo que soube da forma que seria realizado o procedimento, pedi o violão para um amigo e cantei e toquei diversas músicas. Uma delas foi a que compus para o meu filho Emanuel, que nasceu no dia 26 de fevereiro. Cantei muitas músicas e lembro bem que os médicos pediram bis no Telefone Mudo”, observa.  

Anthony ainda não sabe quando deixará o hospital, mas afirma que espera estar em breve na casa de sua sogra, em Tubarão. “Sei que ainda terei alguns exames para fazer, o acompanhamento dos médicos, mas estou confiante que deu tudo certo. Minha família e eu temos muita fé e isso tudo foi importante para que a cirurgia e a minha recuperação ocorressem bem”.

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Paciente canta e toca violão durante cirurgia no cérebro realizada no HNSC A equipe do neurocirurgião Dr. Marcos Ghizoni realizou, na última semana, mais uma cirurgia para extração de tumor cerebral em que o paciente é mantido acordado. Desta vez, os testes realizados, durante o procedimento, foram além da interação através de gestos e fala entre paciente e equipe cirúrgica. Anthony Kulkamp Dias, de 33 anos de idade, cantou e tocou violão enquanto os médicos realizavam a cirurgia. Começou com Emanuel, música que ele mesmo compôs ao filho, nascido há poucos meses, seguida por Yesterday, dos Beatles, uma canção em alemão, Bem Maior (Roupa Nova) e a canção sertaneja ‘Telefone Mudo’ (Trio Parada Dura).Enquanto surpreendia a todos, a cirurgia era realizada. A monitorização cerebral – importante para evitar que ocorram lesões nas áreas sensoriais, motora e da fala – ocorreu durante todo o procedimento.A cirurgia – disponibilizada apenas em hospitais de referência – trata-se de um grande avanço na medicina, pois é possível fazer, de forma segura, um verdadeiro mapeamento do cérebro do paciente, evitando-se lesões que podem comprometer áreas importantes e refletir na qualidade de vida do paciente.Dr. Marcos Ghizoni realizou a cirurgia juntamente com o neurocirurgião Dr. Michel Linne e o neurologista Dr. Franciel Linne, responsável pela eletroestimulação, auxiliados pela instrumentadora Keller Damian Preve. O DESAFIO EM MANTER O PACIENTE ACORDADO E SEM DOR – O anestesiologista e diretor clínico do Hospital Nossa Senhora da Conceição (HNSC), Dr. Jean Abreu Machado, também participou da cirurgia, mantendo o jovem orientado e cooperativo com a equipe. Questionado quanto ao desafio em manter o paciente acordado neste tipo de procedimento, o médico ressaltou que “realmente é um grande desafio para toda equipe cirúrgica, inclusive o anestesiologista”.Segundo Dr. Jean, normalmente as neurocirurgias são realizadas com o paciente sob anestesia geral, ou seja, inconsciência (dormindo) e ausência de dor, porém, quando o tumor está próximo a áreas com funções especiais do cérebro, como é o caso da fala, movimentação e sensibilidade, há o risco que estas funções especiais sejam perdidas, caso forem lesadas durante o procedimento. “Mantendo o paciente acordado durante a cirurgia, estas áreas podem ser monitoradas em tempo real. É feito uma espécie de mapeamento das áreas importantes", a corticografia. Sendo assim, são menores as chances de lesão e é possível uma otimização do tratamento”, completou.O anestesiologista explicou, ainda, que o tecido cerebral não possui sensores para dor, mas pele e outras estruturas, cujo acesso é necessário para um campo operatório adequado – possuem tais sensores. “Neste momento, inicia o desafio do anestesiologista: manter o paciente acordado e sem dor”, frisou.Várias técnicas são utilizadas e muitas vezes a combinação delas. Medicações endovenosas (na veia) são usadas com combinação de anestésicos locais para bloquear o estímulo doloroso. Dr. Jean destacou que outro fato muito importante é um bom relacionamento médico-paciente, que inicia na consulta pré-anestésica, quando não apenas o anestesiologista conhece melhor o paciente, seus problemas de saúde, alergias, medicações de costume, mas quando o paciente aproveita a oportunidade para esclarecer todas as dúvidas e diminuir as inseguranças e medo. “Tenho percebido que o que mais tranquiliza os pacientes nesse momento, que certamente é difícil, é quando eles notam que existe uma pessoa que se importa com seus temores e que estará lá do seu lado para ajudá-lo da melhor maneira possível”, observou o diretor clínico do HNSC.

Posted by Sociedade Divina Providência – Hospital Nossa Senhora da Conceição on Tuesday, June 2, 2015