Sem apoio, jovem tetraplégico pede ajuda para continuar tratamento

Após o acidente que lhe custou o movimento praticamente de todo o corpo, Diego Mateus levantou a bandeira da superação, a qual mantem erguida há 15 anos

Liliane Dias
Orleans

Sabe esses casos que escutamos e que pensamos ‘isso acontece só em televisão’? Pois é, infelizmente as vezes são ‘de verdade’. A provação sem medida e com um percentual mínimo para ocorrer, surgiu na vida de Diego Mateus, quando ele tinha apenas 18 anos.
Um jovem ativo, alegre, atuante nos esportes em São Ludgero, teve a vida que vivia ‘destruída’ por uma ‘simples brincadeira’. Mas o que poderia (e para muitos foi) uma tragédia, Diego transformou em oportunidade.

Por conta de todo o amor que tem pela vida, optou por lutar. Não apenas escolheu sobreviver, ele decidiu viver, mesmo em meio as dificuldades. Após o acidente que lhe custou o movimento praticamente de todo o corpo, levantou a bandeira da superação, a qual mantém erguida há 15 anos.

Hoje tetraplégico, conta com o auxílio em tempo integral de sua mãe. Entre estas situações enfrentadas na vida em que muitos diriam ser impossível, aqui apresenta-se a crença de que nada é impossível aos olhos de Deus. A prova disso, é que mesmo com tantas limitações, ele trabalha continuamente em seu portal de notícias.

Diego reside em Orleans com sua mãe que ‘desde sempre’, esteve ao seu lado. Em meio a tantas provações, situações corriqueiras, que ocorre em qualquer família, também fez parte da vida do jovem a dificuldade financeira, a separação dos pais, que não aguentaram a pressão e a falta de empatia da família do jovem que causou (mesmo que sem querer) o acidente.

Mesmo com muitos anos se passado, o rapaz nunca conseguiu um suporte da família do responsável por sua queda, seja por meio da lei ou por solidariedade. Para Diego, o momento de tornar público o que ocorreu naquele 25 de setembro de 2005, é uma forma de externar o sentimento guardado.

 

Como tudo aconteceu

Como o próprio Diego diz, ‘foi um acidente bobo pela forma’. Mas por pior que um acidente seja, é algo sempre inesperado. “Nunca imaginei que passaria por algo desse tipo, mas infelizmente pode acontecer na vida de qualquer pessoa”, expõe.

Ele conta que estava em um evento em uma rodovia e um colega de trabalho chegou e parou ao seu lado de moto. Como fazia apenas dois meses que ele trabalhava na empresa, mal conhecia o rapaz, mas começaram a conversar.

“Andava com um amigo que era muito responsável por uns dois anos e nunca tinha acontecido nada. Sempre tive o costume de quando meu amigo chegava de moto para conversar, sentava na moto ou encostava na moto para a conversarmos enquanto não decidíamos o que iriamos fazer e sempre tive essa mesma atitude”, relembra

Ele procedeu da mesma forma que agia com o amigo de dois anos, mas não o conhecia direito. “Ele tinha uma moto que era igual a que eu tinha vontade de comprar na época. Lembro que estava terminando de tirar a minha carteira de motorista. Enfim, ele estava com a motocicleta ligada e sentei na curiosidade, enquanto conversávamos e totalmente distraído, inclusive estava com um copo de bebida na mão e do nada ele empinou a moto. Eu caí para trás e apaguei”, detalha.

Quando acordou já estava no hospital e não conseguia mexer nada do pescoço para baixo. “Então você imagina, uma hora está bem e cheio de planos e do nada as coisas viram de cabeça para baixo. Infelizmente a vida é assim. Mas você tem o livre arbítrio e escolhe ficar no chão e aceitar a situação, ou lutar e tentar tirar o máximo de proveito daquilo, tentar ver o lado bom de tudo o que aconteceu”, assegura.

Os três meses seguintes Diego viveu na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) tentando sobreviver. “Um ano que tinha tudo para ser muito bom e de muitas conquistas acabou sendo o pior. Meus pais tiveram que largar tudo e ficaram mais de dois anos sem trabalhar, apenas cuidando de mim”, conta.

 

Lição e ressentimento

“Logico que tem horas que penso que a vida podia ser diferente, não tem como ser forte o tempo todo. Mas nesses 15 anos, foram poucas as vezes que minha mãe me viu triste. Nesses últimos dias agora, a situação ficou um pouco injusta devido a dificuldade que passamos”, cita.

Mas o que mais o entristece é saber que o responsável por sua atual condição, nada fez para ajudá-lo. “O rapaz causador do acidente, sabe que foi responsável, se não por qual motivo ele teria fugido na hora, com medo das pessoas ‘lincharem’ na hora. Além disso, ele ficou sumido por alguns dias para evitar o flagrante”, pontua.

O fato e que mesmo com todas as condições, nestes 15 anos não se mobilizaram em nenhum momento para estender a mão. “Fizeram um loteamento, venderam vários e vários lotes a pouco tempo e eu pagando aluguel. Poderiam me dar uma força. Não por mim, mas pela minha mãe. Não é justo ela passar essa dificuldade comigo tendo essa preocupação”, emociona-se.

Foi quando Diego resolveu fazer este desabado. “Para as pessoas conhecerem um pouco ou tentar falar para eles, porque sou bem conhecido aqui e eles nunca vieram dar uma mão, me dar um apoio. Nunca vieram me visitar e perguntar como estávamos, se precisávamos de alguma coisa”, desabafa.

Ele afirma que a intenção nunca foi de passar uma ideia de ser um coitado, nem tampouco que alguém tivesse ‘pena’ dele. “Pelo contrário, sempre me disseram que sou um exemplo para as pessoas aqui da região, inclusive dou palestras motivacionais em universidade, sempre tive orgulho da pessoa que me tornei e da minha força”, relata.

Mas ele afirma que, ‘como sempre’, quem é solidário é o povo. “Sempre falo que desde o início Deus tem colocado um exército de pessoas certas no meu caminho. Tendo a minha mãe como a minha fiel escudeira do meu lado nas batalhas que venho enfrentando. Ele nunca me deixou sozinho”, ressalta.

Para ele, as pessoas que menos têm são as que querem dividir o pouco que possuem. “Pessoas de boa índole, de bom coração, felizmente ainda existem indivíduos assim, e são esses momentos que fazem valer toda a nossa luta”, afirma. Porém ele reforça que tudo o que enfrentou até hoje e encontrar pessoas dizendo o quanto ele se tornou um exemplo é muito importante e torna gratificante.

 

Situação financeira e equipamento necessário

Em meio a tanta dificuldade, amigos e familiares incentivaram Diego a criar uma vaquinha online. A intenção é arrecadar fundos para quitar as dívidas acumuladas no decorrer desses anos. Comprar uns equipamentos, tanto para auxiliar sua mãe, quanto para facilitar os trabalhos do dia a dia no site, além de criar um fundo de caixa.

“Quero obter um equipamento para a minha mãe que é tipo um guincho. Ela está com problema grave na coluna e não pode mais pegar peso. Inclusive ela está fazendo fisioterapia para ver se consegue melhorar um pouco, esse equipamento será de grande importância”, ressalta.

Hoje com pouco mais de um salário mínimo (um salário dele e ¼ do salário recebido por sua mãe) e ainda pagando aluguel de R$ 650,00 fica inviável a aquisição deste equipamento e de quitar as dívidas recorrentes de todos esses anos. “Um pouco depois do meu desabafo nas redes sociais as pessoas começaram a ajudar um pouco mais e alguns anúncios começaram a entrar no site”, explica.

Ele também precisa de uma dieta diferenciada com orientação profissional para garantir mais qualidade de vida e alguns medicamentos que eventualmente o governo não fornece. “Com esse dinheiro além de facilitar a vida de minha mãe, poderei por minhas contas em dia e investir em equipamentos para executar minhas atividades com mais qualidade”, detalha.

Por conta da falta de alguns desses cuidados, Diego teve problemas no intestino e precisou passar por um processo cirúrgico. Algumas complicações quase custaram novamente sua vida. “Fiquei três meses no hospital. Neste tempo, teve uma hora que simplesmente apaguei e acordei com toda a equipe medica ao meu redor. Escapei da morte uma segunda vez ali”, assegura.

Outra questão que preocupa Diego é que talvez tenha que fazer uma nova cirurgia. Mesmo em meio a pandemia, ele terá que ir a Brasília em setembro. “Tenho receio de ter novas complicações numa eventual cirurgia e seja necessário ficar sem trabalhar por algum tempo”, avalia.

A intenção da campanha é arrecadar R$ 40 mil. As pessoas interessadas em contribuir com a causa poderão fazer por meio da vakinha online clicando aqui, ou por meio de depósito bancário na caixa número 104, agência 3850, conta corrente 10172.

 

O que já mudou

Após o desabafo várias foram as reações. Alguns por meio de mensagens e incentivo, outros deram a ideia da vaquinha e outros ainda, voltaram a divulgar suas marcas em seu site. “Por conta do período que precisei abandonar meu trabalho muitos clientes cancelaram contratos e quando retornei disseram que não podiam mais”, relembra.

Porém, após a publicação, alguns destes retornaram as mídias. “Percebi que faltava divulgação, pois algumas pessoas não conheciam o meu trabalho e começaram a anunciar comigo. Mesmo sendo valores pequenos, já me ajudava a pagar meu aluguel, por exemplo”, expõe.

 

O que espera

Desde o começo quando publicou o seu desabado nas redes sociais, a intenção era tentar conscientizar as pessoas e principalmente a família da pessoa que contribuiu, para que ele ficasse na situação em que vive hoje. “Queria abrir os olhos das pessoas de que desse mundo não levamos bens materiais. Não custa nada estender a mão ao próximo, ainda mais se tiver toda condição para isso. O pior é nem ao menos demostrar solidariedade”, afirma.

 

Um sonho

Se tudo der certo, muito em breve Diego deve ingressar na Universidade. “É um sonho. Já me inscrevi e estou contando com a ajuda. Meu sonha era fazer psicologia, mas como não tenho como participar de forma presencial porque teria que exigir ainda mais fisicamente da minha mãe, optei por programação multimídia, mas mesmo assim é uma felicidade muito grande”, enfatiza.

 

Boa notícia

Enquanto a reportagem do Portal Notisul conversava com o jovem, ele recebeu a notícia de que o equipamento para sua mãe seria doado. “Uma pessoa fez contato comigo dizendo que não precisaria mais me preocupar com este equipamento, porque ele está providenciando”, alegra-se.

De acordo com o doador, o recurso que Diego utilizaria para este fim, poderá ser destinado em outras questões como, suporte para a alimentação e aquisição dos equipamentos, que melhorem o desenvolvimento do seu trabalho. “Quem sabe meu sonho de fazer uma faculdade não está ainda mais próximo, né?”, questiona.

 

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