Tubarão

O horário de verão que entrou em vigor no último domingo anuncia a chegada de uma das estações mais quentes do ano. Com o dia prolongado, e o calor intenso, centenas de pessoas investem no ‘companheiro de todas as horas’, o ‘ar condicionado’. Para aqueles que são adeptos aos exercícios físicos em academias, o ar -condicionado também é peça fundamental para garantir um ambiente agradável enquanto se elimina as ‘gordurinhas’. E manter os equipamentos de refrigeração ligados durante todo o dia está cada vez mais caro, já que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) anunciou que a bandeira tarifária das contas de luz nesse mês será a vermelha patamar dois. A tarifa é a mais cara do modelo e representa a cobrança de taxa extra de R$ 3,50 a cada 100 Quilowatt-hora (kWh) consumidos.

Em junho, a bandeira tarifária era verde, que não tem adicional. Em julho mudou para amarela, que tem custo extra de R$ 2 a cada 100 kwh. Em agosto foi para vermelha, patamar um, com acréscimo de R$ 3. Em setembro, voltou para a amarela. E agora está na vermelha patamar dois, com aumento de R$ 3,50. “Nossa conta de energia aumentou bastante. Temos três climatizadores de alta potência e vamos ter que colocar mais um. Agora com o verão, os alunos nos pedem que o ambiente fique bem refrigerado. É bastante gasto”, relata a recepcionista da Academia Forma, Lais Martins Avila, de Tubarão, que funciona durante todo o dia. 

Segundo economistas, a energia elétrica para uma família de baixa renda pode representar 5% do orçamento. Para uma família de alta renda vai representar 1% ou 2%. O diretor-presidente da Aneel, Romeu Rufino, relata que a decisão foi tomada devido à baixa vazão das hidrelétricas, porque as chuvas em setembro ficaram abaixo da média. Desde que a bandeira vermelha passou a ter dois patamares, 1 e 2, em janeiro de 2016, esta é a primeira vez que o nível mais alto é acionado. A tarifa extra mais alta se deve à necessidade de operar mais usinas térmicas, cujo custo de produção da energia é mais alto que a da produzida nas hidrelétricas.

Usina Solar Cidade Azul é referência
A presença do sol intenso que causa a seca e prejudica o abastecimento das hidrelétricas também pode ser uma solução menos agressiva ao meio ambiente. O ‘astro rei’ que nos dá gratuitamente luz, calor e energia, tem sido cada vez mais apreciado com o desenvolvimento da técnica de geração de energia solar fotovoltaica. Tubarão é pioneira nesse estudo e se destaca como referência na geração de energia renovável, com a Usina Solar Cidade Azul. Inaugurada em agosto de 2014, é importante não apenas para o município, como também para o avanço do conhecimento científico na área de geração de energia fotovoltaica. Ela serviu de base para um inédito Projeto de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) realizado pela Engie Brasil Energia em parceria com a Universidade Federal de Santa Catarina (Ufsc) e outras 11 empresas do setor elétrico, que durou cinco anos e recebeu investimento de R$ 52 milhões.

Composta por 19.424 módulos solares e ocupando uma área de 10 hectares, a Usina Solar Cidade Azul gerou 10.635,1 MWh desde sua inauguração até maio deste ano. No último mês de junho, Tubarão recebeu a premiação de cidade referência na geração de energia renovável no Connected Smart Cities 2017, evento que reúne os gestores das cidades que se destacam na inovação em diversas áreas, conforme o ranking da consultoria Urban Systems, publicada pela revista Exame. A Usina tem capacidade instalada de 3 megawatts-pico (MWp), ou seja, no pico da incidência do sol gera 3 MW, energia suficiente para abastecer 2,5 mil residências. Ela está conectada à rede de 13,8 kV da Celesc e dali é distribuída aos consumidores.