Amanda Menger
Tubarão

Mais de 300 funcionários da secretaria de saúde da prefeitura de Tubarão realizaram uma passeata na manhã de ontem. Eles foram até o paço municipal munidos de faixas onde reivindicavam melhores salários e estrutura de trabalho. Os ânimos chegaram a ficar um pouco tensos. O secretário de administração da prefeitura, Carlos Eduardo de Bona Portão, o Preto, disse que uma outra comissão tinha sido recebida pelo prefeito segunda-feira, e que a pauta já havia sido encaminhada.

Os funcionários continuaram o protesto, até que sete deles foram recebidos pelo prefeito, Dr. Manoel Bertoncini (PSDB). A reunião durou pouco mais de 40 minutos. Os servidores apresentaram uma lista com 12 reivindicações. Entre elas, aumento salarial de 30%. “Não entendo o motivo desta passeata. Paralisaram o atendimento nos postos, sendo que eu já tinha recebido uma comissão segunda-feira. Essa manifestação foi algo imaturo”, afirma o prefeito.

Segundo o técnico em enfermagem Belmiro Isaac Nunes Filho, os técnicos e auxiliares em enfermagem ganham pouco mais do que R$ 465,00. “É o menor salário da Amurel. O secretário de administração nos disse que eles farão o plano de carreira, porém, até isso ficar pronto, a defasagem salarial será ainda maior. A nossa data-base é 1º de maio e, até lá, o prefeito disse que faria um esforço para dar algum aumento. Mas não deu prazo ou percentuais”, relata Belmiro.

Reunião
Amanhã, será realizada uma reunião técnica entre os enfermeiros e o secretário de saúde, Roger Augusto Vieira e Silva.

Faltam medicamentos,
materiais e exames

Aos 71 anos, o aposentando Antonio Manoel Rodrigues (foto) tem problemas de hipertensão e precisa tomar cinco tipos diferentes de medicamentos. A esposa dele, Eli Terezinha dos Reis Rodrigues, 63, também necessita de atendimento especializado devido a problemas de visão. O casal mora no Humaitá e, sempre que precisa, procura o posto da Estratégia Saúde da Família (ESF) do bairro.
“O atendimento da equipe é ótimo, mas falta muita coisa. Eles estavam sem termômetro, ontem (terça-feira), comprei um e doei para eles. Amanhã (hoje), acho que levarei outro. Dos três aparelhos para medir pressão, dois não funcionam e o outro estragou esta semana. Disseram que levará dois meses para arrumar”, lamenta o aposentado.

Antonio reclama ainda da falta de medicamentos. “No posto em geral, não tem. Tenho que vir ao centro para pegar, o problema daí é o atendimento. O tempo de espera dos exames é muito grande. A minha esposa teve um problema em um dos olhos e não conseguimos tratamento em Tubarão. Vou praticamente toda semana para Porto Alegre. Hoje (ontem), não fui para vir à passeata e mostrar que não estamos contentes”, queixa-se.

Segundo o prefeito Manoel Bertoncini (PSDB), neste ano, serão investidos 18% da receita do município em saúde. “Fui secretário de saúde entre 2001 e 2004, e a prefeitura sempre teve dificuldades para suprir as necessidades da área. O repasse constitucional é de 15%. Nós investiremos 18%. Mas a demanda é sempre maior, sempre faltará alguma coisa. A saúde é uma responsabilidade não apenas do município, mas do estado e da União também”, argumenta o prefeito.