Pescadores já recolhem os primeiros peixes da temporada que encerra em julho. Expectativa é retirar duas mil toneladas de tainha no Estado.

Laguna

A temporada de pesca artesanal da tainha já começou. Para quem pesca na praia ou com barco sem motor, os primeiros peixes foram retirados nesta segunda-feira, quando abriu oficialmente o período de pesca. Quem trabalha com barco com motor com rede de anilha poderá pescar a partir do próximo dia 15. Este período, antes da liberação da pesca industrial, dá esperanças aos pescadores de pequenas redes, tarrafas e menores embarcações capturarem o peixe, anterior aos grandes barcos industriais carregados de tecnologia.

Nesta categoria com barcos de pequeno motor, a maior concentração destes pescadores, está na região do Farol de Santa Marta, com 30 barcos, envolvendo 600 profissionais.

A pesca da tainha é concentrada nos municípios de Florianópolis, Palhoça, Laguna, Garopaba, Imbituba e Passos de Torres. No ano passado, o Estado teve a maior safra das últimas três décadas, com a captura de 3,5 mil toneladas do pescado. Já neste ano, os primeiros dias ainda estão devagar. De acordo com o presidente da Federação dos Pescadores do Estado de Santa Catarina (Fepesc), para uma boa temporada de tainha é essencial que aconteçam duas situações climáticas: frio e vento Sul. “Até o momento foram recolhidos uns 200 quilos. A baixa nos primeiros dias é normal. Agora precisa esfriar e vir o vento para aumentar a chegada dos cardumes no litoral”, afirma.

No ano passado, na praia do Farol de Santa Marta, em Laguna, em um único dia foram capturadas cerca de 40 toneladas de peixes em um só lance de rede. Além dos costões, a tainha poderá ser capturada tradicionalmente nos Molhes da Barra, onde pescadores e botos ficam na espera. O vento sul soprando ajuda na entrada do peixe no canal. “Estamos esperançosos, mas é bem provável que a safra não seja tão produtiva quanto à do ano passado. A expectativa é que chegue à duas mil toneladas no Estado”, avalia o presidente da federação.

Pescadores formam colônias na região
A Colônia Z 14, em Laguna, tem 2,3 mil filiados. Entre associados e membros de outros sindicatos, são quase 500 pescadores à espera da tainha. Com 600 filiados na Colônia Z 13, em Imbituba, quase a metade se dedica à pesca artesanal da tainha, cuja safra deve se estender até o final de julho. “É uma pesca famosa, traz muitos turistas, porque se tornou tradição. Pescadores, hotéis, restaurantes, todo mundo ganha”, afirma o presidente da Z 13, Volnei Silveira. Vindas do Uruguai e do Rio Grande do Sul, a partir de maio as tainhas seguem para o Norte em busca de águas mais quentes para a desova. É neste trajeto que muitas delas acabam capturadas pelas redes. Mas quem pratica a pesca artesanal torce para não ter muitos dias de temporais e vento nordeste, que desviam os cardumes para longe de seu alcance.