Zahyra Mattar
Jaguaruna
 
Pacificamente, o grupo formado por rizicultores e ceramistas da região sul do estado tomou parte da BR-101, em Jaguaruna, ontem pela manhã. O protesto foi a forma encontrada para chamar a atenção para as dificuldades enfrentadas hoje por ambos os setores.
 
Faixas em punho e tratores colocados estrategicamente às margens da rodovia serviram para clamar por incentivo fiscal e obras urgentes que precisam ser feitas. Caso contrário, as duas atividades correm o risco de sofrer um revés financeiro nunca antes visto.
 
Uma das reivindicações do grupo é o dessassoreamento do Rio Urussanga. Por conta das chuvas, uma área de aproximadamente dois mil hectares de arroz, especialmente em Morro da Fumaça, Jaguaruna e Sangão, é afetada.
 
O prejuízo ainda não pode ser calculado porque toda a área está inundada. A safra ainda está na fase vegetativa e o excesso de água prejudica o crescimento.
 
O setor ceramista também sofre com o reflexo da falta da dragagem do manancial. A extração do barro, matéria-prima da indústria, não pode ser feita já que as jazidas ficam embaixo d’água.
 
Não há um projeto para isso, apenas uma estimativa de quanto custaria confeccionar um: algo em torno de R$ 600 mil. Os manifestantes pedem ajuda do estado para viabilizá-lo.
 
Especificamente na rizicultura, os produtores pedem maior incentivo fiscal para melhor o preço do grão e o estancamento das importações, especialmente do Mercosul.
 
“Não temos como competir com outras nações por conta da alta carga tributária brasileira. Hoje, a rizicultura está quase inviabilizada”, alerta o presidente do Sindicato Rural de Jaguaruna, Rui Geraldino Fernandes.
 
Modificação na legislação ambiental também é reivindicada
O atual Código Ambiental em vigor no país data de 1964. Desatualizado e inadequado em relação à realidade de hoje do Brasil, uma nova proposta já existe, já foi analisada no ano passado, mas ainda não está aprovada.
Ceramista e rizicultores do sul catarinense, em protesto ontem, na BR-101, em Jaguaruna, pedem a inclusão da matéria na pauta do congresso, cujos trabalhos serão retomados no próximo mês.
“Esta é uma questão urgente. O agricultor vive da terra e quer cuidar dela. Mas não há como haver sustentabilidade com a lei em vigor hoje. O resultado disso é o aumento do êxodo rural”, destaca o presidente do Sindicato Rural de Jaguaruna, Rui Geraldino Fernandes.
Presidente do Sindicato Rural de Jaguaruna, Rui (E) antecipa que novas manifestações ocorrerão
 
Números reais
A safra total do Brasil gira em torno de 13 milhões de toneladas. O consumo não passa de 12 milhões de toneladas. E isto com um custo muito superior à produção argentina ou uruguaia, por exemplo.
No Brasil, atualmente, o custo para gerar uma saca de 50 quilos de arroz sai, em média, por R$ 25,00. A indústria paga R$ 23,00 pela mesma quantidade e o governo federal compra a R$ 25,80.
 
Organizadores
A ação é organizada pelos produtores de arroz da Amurel e da Amrec, pelo Sindicato Rural de Jaguaruna e pelo Sindicato dos Ceramistas de Sangão.