Além de estar bem fisicamente, os goleiros devem ter agilidade, reflexo rápido e velocidade. Como fazer isso em casa, sem uma segunda pessoa como apoio? A goleira Joice Helena Back, apesar de sentir dificuldades, encontrou uma saída para a falta de equipamentos em casa. Enquanto a parede e os pais se tornaram adversários, os chinelos ganharam outra utilidade. “Como não tenho cones, uso os calçados para serem os obstáculos ou até mesmo a trave”, explica a atleta do time feminino de futsal de Tubarão.

E a cada tipo de treino, ela altera o posicionamento dos sapatos, de acordo com o que o treinador André Farias orienta. “Assim, a menina não perde a valência técnica, tão importante quanto a coragem de defender os chutes”, completa o técnico. Dos pés para as mãos, o handebol também passa pelo mesmo desafio: o treinamento individualizado domiciliar. Foi aí que a professora da modalidade, Juliana Nandi, teve a ideia de incrementar as atividades. “Como um extra, indico sites para elas lerem e vídeos para visualizar sistemas defensivos”, destaca.

A teoria também ganhou espaço no microciclo semanal. “Realizei uma aula virtual com as meninas sobre defesa e sistema 3×3, apresentei um jogo no qual faríamos observações do sistema. Essa semana vamos nos encontrar online novamente e falar sobre o sistema 5:1”, esclarece. O tempo de reunião virtual consegue diminuir a distância, mas não mata a saudade de estarem todas juntas em quadra. É o que Daniela Cristina revela. “Sinto muita falta delas”, diz a goleira da equipe feminina de handebol da Cidade Azul.

Mesmo longe das garotas, consegue manter o foco. Por morar em apartamento, tem mais acesso a equipamentos, tendo à disposição esteira, que utiliza para ganhar condicionamento e velocidade, e o parquinho, que possui um campo com traves. Os pais, de vez em quando, ajudam a goleira nos treinos, mas como estão trabalhando, ela costuma executar as atividades sozinha. A persistência provém da paixão pela modalidade e, antes mesmo de vestir a camisa do time, já gostava da posição defensiva. “Sempre gostei muito de ser goleira, mesmo antes de entrar no handebol”.

Uma herança entre traves

Antes mesmo do nascimento dos filhos, o casal Kaciele Kasper e Cleiton Barbieri tinham algo em comum: a posição em quadra como goleiros. Com a vinda de Henrique, filho mais velho da família, o esporte foi sendo inserido aos poucos em cada fase do então pequeno. Quem diria que, anos após o incentivo esportivo inicial, ele seguiria a herança familiar para ficar entre as traves, dentro de uma quadra de futsal. Atual goleiro do Tubarão Futsal, o jovem de 20 anos chama atenção do público com suas defesas ágeis e certeiras, tendo boa atuação tanto na Liga Nacional, quanto nos Jogos Abertos de Santa Catarina, em 2019.

Embalado pelo ano de conquistas, não esperava ter que se afastar dos jogos e treinos, pelo coronavírus. Longe dos treinadores e companheiros de equipe, Henrique é um dos poucos com a sorte de, em casa, além dos pais, ter uma irmã tão talentosa quanto ele com as luvas nas mãos. Camisa 1 do Internacional e da Seleção Brasileira sub-17, Gabriela Barbieri também é goleira e pode auxiliar o irmão nos treinamentos em domicílio. “Ela conhece, entende como funciona a posição e me ajudou bastante”, conta. Agora, voltando para o apartamento onde mora realmente, encontra dificuldades, mas segue treinando, principalmente os estímulos de condicionamento físico, a parte de preparação geral e a periodização.