Representantes da classe LGBT, negros e feministas realizaram uma manifestação no calçadão de Tubarão em defesa dos direitos das minorias

Lysiê Santos
Tubarão

Os casos de violência e preconceito contra as minorias são cada vez mais evidentes, principalmente contra a classe de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBT). Estima-se que a cada 28 horas, um homossexual morre de forma violenta no país.

Dezenas de pessoas têm perdido suas vidas ao assumir sua identidade afetiva, como o caso da transexual Jennifer Celia Henrique, de 38 anos, assassinada a pauladas no mês passado em Florianópolis.

Com o objetivo de alertar a população sobre o aumento da violência contra as diferentes classes, representantes da causa LGBT, da luta pelos direitos dos negros e das mulheres, promoveram uma mobilização neste sábado, no calçadão, no centro de Tubarão. Frases como “Olhe, olhe de novo para além do seu preconceito”, “respeitar e reconhecer as diferenças, um dos princípios da democracia”, “sou travesti e daí…”, foram expostas em cartazes que chamaram a atenção do público.

De acordo com a mestra em Educação pela Unisul, professora da rede estadual e ativista do movimento LGBT, Gabriela da Silva, a iniciativa partiu da preocupação com o alto índice de assassinatos de travestis registrados nos últimos meses. “Nossa luta é contra a intolerância e ódio expresso por uma bancada conservadora e fundamentalista, na qual excita discriminar pessoas por sua identidade de gênero e orientação sexual”, alerta.

A representante do movimento LGBT de Tubarão afirma que o grupo pretende realizar outras manifestações na cidade em busca de conscientizar a população sobre o assunto. “Não estamos preocupados em quantidade de pessoas na manifestação. Nosso intuito é sensibilizar a comunidade e educar as novas gerações para que saibam conviver com as diferenças”, reforça.

Ideologia de gênero é suprimida do Plano Municipal de Educação

Gabriela da Silva (foto palestrando) atua há 29 anos como professora em Tubarão na rede estadual na Educação de Jovens e Adultos (EJA) e relata que todos os dias se depara com o preconceito e as limitações. “Em Tubarão há preconceito como em todos os lugares. Sou mestra em educação, mas ainda são limitados os espaços para os homossexuais nos diversos setores do mercado de trabalho”, analisa.

Ela ainda lembra que o Plano Municipal de Educação (PME), aprovado pela Câmara de Vereadores em junho de 2015, suprimiu do texto temas como a ideologia de gêneros. O plano norteará pelos próximos dez anos as ações da cidade para o setor educacional. “O documento proíbe os professores de discutir as questões de gênero em sala de aula. Isso é um absurdo, pois limita a liberdade do professor e do aluno”, pontua Gabriela.

Na emenda inclusiva, aprovada por unanimidade pelos vereadores, criou-se o artigo: “Não comporá a política municipal de ensino de Tubarão currículo escolar, disciplinas obrigatórias, ou mesmo de forma complementar ou facultativa, espaços lúdicos, materiais de ensino que incluam a ideologia de gênero, o termo “gênero” ou orientação sexual ou sinônimos”.

O Plano Nacional de Educação foi sancionado em junho de 2014 pela presidente Dilma Rousseff, e transformado na Lei 13.005. Ele definia que as cidades teriam até um ano para sancionar seus planos. A lei era de natureza orientava, que não previa sanções ao administrador que não cumpri-la.

Foto: Lysiê Santos/Portal Notisul

Publicado às 17h41min deste domingo (26-3-2017)