Rafael Andrade

Tubarão

Após os primeiros casos e mortes na Itália do novo coronavírus, o Covid-19, a procura por passagens ao país, que tem ampla relação de descendentes na região, e em todo o continente europeu em si, caiu consideravelmente nas agências de viagens de Tubarão e de municípios vizinhos. Um cálculo superficial das últimas semanas é que a redução foi de 30%. Já as passagens para os EUA não tiveram muita alteração de demanda, somente mudanças de escalas, principalmente nas cidades onde tiveram registro de casos e mortes.

O Centro para Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) informou, nesta terça-feira (10), 696 casos de coronavírus, um aumento de 224 casos em relação à contagem anterior, e disse que o número de mortes aumentou de seis para 25. O CDC disse que os casos confirmados foram relatados por 36 Estados e pelo Distrito de Columbia, acima do relato anterior de 35 Estados. A contagem inclui 49 casos de pessoas repatriadas do Japão e de Wuhan, na China, onde o surto começou. Os números do CDC não refletem necessariamente casos relatados pelos Estados individualmente.

Já na Itália, o total de mortes pelo coronavírus saltou para 631, um aumento de 36%, apontou a Agência de Proteção Civil do país, o maior aumento diário em números absolutos desde que o surto veio à tona no dia 21 de fevereiro. O número total de casos no país europeu mais atingido pelo vírus, subiu para 10.149, em relação aos 9.172 casos anteriores, um acréscimo de 10,7%. O chefe da agência disse que, dos inicialmente infectados, 1.004 pessoas tinham se recuperado completamente, em comparação com 724 pessoas do dia anterior. Cerca de 877 pessoas estavam em tratamento intensivo, contra 733 pessoas anteriormente.

Todos esses dados negativam o mercado de pacotes de viagens. Luis Fernando Corbetta, proprietário da Agência Corbetta, em Tubarão, que tem 35 anos de atuação, revela que há muita preocupação dos clientes em relação à doença e houve uma queda considerável na procura por passagens à Itália. “Nossa região tem muita relação com este país. Só para se ter uma ideia, o Salão Internacional de Móveis, em Milão, que seria em abril, foi transferido para junho. O que se espera é uma reviravolta nos números de casos. Esperamos haver uma redução e, consequentemente, a regularização da demanda nas agências”, mira o empresário. Ele ainda explica que as viagens para a China saindo da região foram praticamente todas canceladas. Sendo o país originário da doença e o de maior número de casos e mortes, as procuras por passagens a negócios e a turismo são praticamente zero. “Já as viagens nacionais estão todas transcorrendo normalmente”, garante Luis Fernando. 

Outros casos que resultaram em crise aérea

Indagado sobre os principais problemas que afetaram a demanda nas agências em outras épocas, ele cita o 11 de setembro de 2001, quando houve o fechamento de diversos espaços aéreos no mundo e perdurou um medo de terrorismo por um tempo. Luis Fernando também lembrou das cinzas provocadas por um vulcão em 2010, na geleira Eyjafjallajökull, na Islândia. A atividade sísmica, que se iniciou no fim de 2009, deu lugar a uma erupção vulcânica que começou a 20 de março de 2010 e foi até 14 de abril. Causou uma paralisação generalizada do transporte aéreo europeu, afetando milhares de voos e causando uma espécie de efeito dominó em todo o mundo. Outra situação corriqueira que costuma afetar as agências de viagens é a alta do dólar, como ocorre atualmente, com a moeda sendo vendida a R$ 4,64 nesta terça-feira (10). Como o coronavírus, que já é a doença que mais afetou o mercado aéreo mundial, a Síndrome respiratória aguda grave (Sars) – gripe asiática -, que apareceu na China em 2002 e se espalhou pelo mundo em alguns meses, embora tenha sido rapidamente contida, também provocou queda nas vendas de passagens de avião.