Zahyra Mattar
Tubarão

A enxurrada que atingiu o sul catarinense no último fim de semana, e colocou 13 cidades em situação de emergência, trouxe um prejuízo astronômico para a Amurel, onde os problemas maiores foram concentrados em Tubarão, Laguna, Jaguaruna e São Martinho. Mas é nos municípios de Tubarão, São Martinho e Jaguaruna que devem ser verificados os maiores prejuízos. Para as três cidades, a agricultura é um pilar econômico forte. E o segmento é um dos mais atingidos.

Somente na rizicultura, estima-se que os prejuízos sejam de R$ 10 milhões. Ainda existem fazendas de arroz completa ou parcialmente submersas em Tubarão, Jaguaruna e Treze de Maio. Nelas, haverá uma porcentagem de perda de produtividade entre 10% e 50%. “Este valor, para o estado e para o país, pode parecer pequeno, mas é bastante significativo para a região. É possível que a economia da Amurel sinta os reflexos, não somente pela rizicultura, mas pelas perdas em várias outras culturas agrícolas. Cria-se um efeito em cadeia”, avalia o presidente da Cooperativa Agropecuária de Tubarão (Copagro), Dionísio Bressan Lemos.

Em São Martinho, as culturas de fumo, milho e feijão também registraram perdas grandes. Os dados ainda não foram completamente levantados, mas, segundo a prefeita Leonete Back Loffi (DEM), é esperada uma queda de pelo menos 20% na arrecadação do município. Em Jaguaruna, a produção de melancia poderá chegar a registrar até 50% de perdas.

Além da agricultura, a infraestrutura das cidades está afetada. O município com maior problema neste setor é Jaguaruna. O acesso aos 12 balneários da cidade está interditado ou precário. O pouco que se pode ser feito durante a semana, quando o sol predominou, foi levado pela pancada de chuva desta sexta-feira à tarde (leia mais sobre a previsão do tempo na página 3 desta edição).

Rede hoteleira: Cancelamentos de reservas chegam a 35%
Amanda Menger
Laguna

As chuvas da última semana trouxeram problemas à infraestrutura das cidades do sul catarinense. E as perdas econômicas podem ser ainda maiores. O cancelamento das reservas de hotéis em Laguna chegou a 35% durante a semana. A expectativa do setor é que a média de ocupação fique em torno de 70% a 80% neste mês.

“Com as notícias divulgadas pela mídia nacional sobre as chuvas no sul do estado, muitas pessoas ligaram para cancelar, algumas para adiar as reservas. Hoje (sexta-feira), estamos com pouco mais de 70% dos leitos ocupados”, revela o presidente da Associação dos Hotéis, Bares, Restaurantes e Similares de Laguna, Peterson Crippa.

As chuvas de novembro também refletiram em queda nas reservas. “Mas conseguimos superar isso. O governo do estado investiu em mídia para mostrar os turistas de outros locais do Brasil que o litoral não foi afetado. Com isso, em Laguna, tivemos 100% de ocupação no Moto Laguna, no início de dezembro, e também no Réveillon”, afirma Crippa.

A estimativa da Santur é que quatro milhões de turistas visitem o estado até março. Destes, de 30% a 40% devem ficar no sul. “Laguna, Imbituba, Garopaba, Farol de Santa Marta e Balneário Rincão são as praias mais procuradas e mais conhecidas. Atraem turistas de diversos lugares. Com o dólar em alta, os visitantes do Mercosul voltaram a passar férias em Santa Catarina. Até o fim do mês, esperamos receber muitos turistas dos países vizinhos”, relata. De acordo com Crippa, os argentinos, uruguaios e paraguaios costumam tirar férias em janeiro.

O que anima os hoteleiros é a procura de vagas para o Carnaval. “Em torno de 40% dos leitos já estão reservados para a Folia de Momo. Laguna tem tradição nesta festa e sempre atrai muitas pessoas. Poderemos chegar a 100% de ocupação”, adianta Crippa.