Zahyra Mattar
Tubarão

As empresas e os motoristas que utilizam o gás natural como combustível terão que ter ainda mais paciência. Em Tubarão, por exemplo, não há GNV disponível nos postos há quase uma semana. As obras de recuperação dos dois pontos do gasoduto, que romperam em Gaspar, devido às enchentes que destruíram o Vale do Itajaí há quase duas semanas, ainda não terminaram. A situação agravou-se ontem, quando ocorreram novos deslizamentos de terra no local.

Dois rompimentos – um no dia 22 e outro no dia 23 do mês passado – interromperam o fornecimento de gás para o sul catarinense e Rio Grande do Sul. O primeiro ocorreu no km 41,5 da BR-470, em Gaspar, cujo trecho é de responsabilidade da SCGás. As obras de reparo já foram feitas e o gasoduto está em fase de testes. A expectativa da concessionária é liberar o fornecimento para a região de Itajaí entre amanhã e sexta-feira.

No trecho pertencente à Transportadora Brasileira Gasoduto Bolívia-Brasil (TBG), na localidade de Cananéia, no Bairro Belchior, também em Gaspar, a situação é mais crítica. A Defesa Civil de Santa Catarina alertou para novos rompimentos em um gasoduto na cidade de Luís Alves, devido à ameaça de deslizamentos em áreas próximas à tubulação. A região é atingida por deslocamentos de terra desde o fim da tarde de sábado. Equipes de resgate tiveram que deixar o local por causa da ameaça de soterramentos.

Uma ‘estrada’ de dez quilômetros foi aberta em meio à mata fechada para liberar caminho aos funcionários da TBG, para que chegassem por terra ao local onde um duto de gás da empresa rompeu. Cem pessoas trabalham, revezando-se em turnos de 12 horas. A previsão é que o abastecimento seja normalizado nos próximos 15 dias no sul catarinense e Rio Grande do Sul. Desde o rompimento, são liberados apenas através do gasoduto 30 mil metros cúbicos de gás por dia, para atender a áreas residenciais, comerciais e hospitalares.

Impacto no turismo soma R$ 120 milhões de prejuízo

Apesar do apelo do governo catarinense para que os turistas não deixem de visitar Santa Catarina nesta temporada de verão, é grande o cancelamento de pacotes turísticos para o estado devido às enchentes que atingiram o Vale do Itajaí. Ainda que o litoral – inclusive no norte – não tenha sido afetado, muitos visitantes preferem não correr o risco.

A Santa Catarina Turismo (Santur), empresa ligada à secretaria do turismo do estado, estima que a tragédia provocada pelas chuvas já causou prejuízos de R$ 120 milhões para o setor. O presidente do órgão, Valdir Walendowsky, revela que as chuvas esvaziaram cerca de 50% da rede hoteleira. Ainda assim, não há espaço para o pessimismo: “As praias e os aeroportos não foram atingidos, o que possibilita a chegada de turistas. O governo catarinense e o federal já declararam que os investimentos estão garantidos para recuperar a infra-estrutura a tempo”, contrapõe Valdir.

Para tentar minimizar o impacto das chuvas sobre o turismo, representantes do Convention Bureau de Tubarão e Região, da Associação Empresarial de Tubarão (Acit), secretaria de cultura, esporte e turismo da prefeitura de Tubarão e secretaria de desenvolvimento regional em Tubarão reuniram-se, ontem, para tratar da questão.
Uma das alternativas apontadas pelo grupo foi lançar campanhas a fim de reforçar que, mesmo com a tragédia, o sul está em plenas condições de receber o turista, o que contribuirá com a movimentação da economia em todo o estado e a reconstrução da região norte.

“O sul passa a ser uma alternativa àquele turista que tinha expectativas de vir a Santa Catarina. Aqui ele encontrará várias opções sem os riscos que acometeram o norte”, analisa o presidente do Convention Bureau, João Marcelino de Carvalho Junior.
Amanhã, as lideranças da região reúnem-se em Florianópolis com o presidente da Santur, a fim de reforçar a necessidade de apoio na divulgação da região sul como opção turística. O secretário de articulação nacional de Santa Catarina, Geraldo Althoff, também garantiu viabilização de uma campanha nacional para reforçar o convite ao turista.

Trânsito continua bloqueado em seis rodovias estaduais

Seis rodovias permanecem bloqueadas em Santa Catarina, 12 dias após o início dos problemas decorrentes da chuva. Apesar dos trabalhos feitos quase que ininterruptamente, concessionárias e governo do estado não conseguem liberar totalmente as pistas. Ontem, a situação agravou-se, especialmente na região de Tijucas do Sul, Brusque e Gaspar. Novas quedas de barreiras obstruíram trechos liberados há poucos dias.

Nas estradas federais, o mesmo ocorre. O acesso mais rápido para o sul do estado – e também o mais precário – ainda é pela BR-101. As outras ligações, em sua maioria, ainda estão total ou parcialmente obstruídas. As condições do solo, ainda muito encharcado, não apresentaram alteração, conforme a Defesa Civil, mesmo com os dias de sol.

Paralelamente, a operação de recuperação de asfalto, especialmente na região do Morro dos Cavalos, em Palhoça, deverá deixar o tráfego ainda mais lento, e totalmente interditado em alguns horários a partir de hoje, quando o Departamento Nacional de Infra-estrutura em Transportes (Dnit) iniciará uma operação emergencial de recapeamento entre os quilômetros 222 e 237 da BR-101.

Os trabalhos serão realizados até o próximo dia 19, das 8 às 18 horas, inclusive nos fins de semana. Para isso, a pista será parcialmente interditada e o trânsito será intercalado. As obras deverão gerar filas nos dois sentidos. Na manhã de ontem, já foram registrados congestionamentos cujos reflexos puderam, inclusive, ser observados no trecho sul da rodovia. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) fez novo alerta para que os usuários tentem reagendar qualquer viagem marcada ao norte do estado.