Wagner da Silva
Braço do Norte

As manifestações e discussões em torno das questões ambientais estão cada vez mais evidentes. Pesquisas recentes atestam que o despejo do óleo de cozinha à rede coletora encarece em 45% a manutenção no esgoto. O problema é que o óleo, por ser mais denso, cria uma película sobre a água que retém produtos sólidos e entope a tubulação.
O óleo de cozinha despejado no ralo polui córregos, riachos e rios, além de afetar o solo. Estudos apontam que um litro de óleo de cozinha pode poluir dez milhões de litros de água, quantidade que daria para o ser humano consumir em aproximadamente 14 anos.

Para mudar esta realidade, a partir de junho deste ano, todas as escolas municipais e estaduais do Vale do Braço do Norte terão implantado o Programa de Reciclagem do Óleo de Cozinha. A metodologia que será empregada no desenvolvimento da ação foi apresentada na tarde de ontem, na secretaria de desenvolvimento regional em Braço do Norte.
O projeto existe há cinco anos, mas sem ser colocado em prática. “Através de pesquisa, descobrimos a real situação. É crítica. Precisamos de ações concretas para minimizar os danos ao meio ambiente e este projeto não poderia ter vindo em melhor hora”, celebra a gerente de planejamento e educação ambiental da SDR, Maria de Lurdes Capponi.

Para ela, com a participação e motivação das equipes em cada cidade, os resultados aparecerão mais cedo que o esperado. O secretário regional Gelson Luiz Padilha (PSDB) é da mesma opinião. Mas acrescenta que os benefícios não podem ser medidos sem analisar as mudanças na consciência das pessoas. “Para mudar o futuro, é preciso mudarmos nós mesmos. No começo, pode ser difícil separar o óleo, mas esta pequena alteração no cotidiano garantirá a preservação do futuro”, acredita o secretário.

Funcionamento
O município inscreve-se no programa de reciclagem e recebe latões de armazenagem a serem disponibilizados em pontos pré-determinados. Quando cheias, as embalagens são coletadas pela prefeitura e uma empresa previamente selecionada por meio de licitação encarregada-se de dar o destino correto ao líquido. Os recursos da venda do óleo retornam como investimentos nas escolas. Para cada litro do óleo de cozinha usado, a instituição receberá um bônus de R$ 0,50.

Em três etapas
O Programa de Reciclagem do Óleo de Cozinha será implantado em todos os municípios do estado este ano.
A ideia foi instituída no ano passado, através da lei nº 14.330, cujo texto estabelece medidas que proíbem a emissão do óleo de cozinha diretamente no esgoto.
O trabalho de implantação é feito através da secretária estadual do desenvolvimento econômico e sustentável e a diretoria de saneamento e meio ambiente, cujo trabalho é dar suporte às equipes formadas em cada cidade.

O trabalho de implantação iniciou em Jaraguá do Sul e Blumenau, no norte catarinense. Para melhor aceitação, a primeira etapa será executada em escolas estaduais e municipais, sob coordenação das secretarias de desenvolvimento regionais.
A segunda fase do programa deve ser direcionada a bares, restaurantes, hotéis e similares. Uma terceira etapa é discutida e pretende incentivar a coleta em condomínios.