Wagner da Silva
Santa Rosa de Lima

Separar o lixo orgânico daquilo que pode ser reutilizado é tema de debates em todo o mundo. Nos últimos anos, porém, a matéria recebeu mais atenção devido aos problemas ambientais e climáticos enfrentados por todos os países. Como concepção destes novos tempos, empresas para reaproveitamento foram fundadas, mas hoje o investimento não é tão interessante como se imagina ou deveria.

Este momento é vivenciado pelas famílias de Ana Claudino e a de Raimundo Rodrigues Rocha. Os dois grupos são os responsáveis pela reciclagem do lixo em Santa Rosa de Lima. Após a ação dos funcionários da prefeitura Maurino do Nascimento e João Batista Willemann, o lixo é depositado em um galpão no centro da cidade. É neste local que as duas famílias dividem espaço para fazer todo o trabalho de triagem. “Há seis anos, meu marido trabalha com venda de sucatas e há três nós fizemos o trabalho de triagem do lixo da cidade e do interior”, explica Ana.

Ela relata que antes a reciclagem era um bom negócio e proporcionava renda boa por mês. Hoje, o lucro já não é dos melhores. “Os preços estão baixos. Existem produtos reciclados como sacas de cimento, jornal e revista que recebemos R$ 0,01 o quilo. Mesmo assim, decidimos continuar a fazer este trabalho, porque acreditamos que irá melhorar”, desabafa.

Na família de Raimundo, a renda familiar é quase exclusivamente do lixo. Ele não é aposentado e atua parte do dia na reciclagem e outra parte na manutenção de hortas para alguns amigos. “Atualmente, o dinheirinho que ganhamos da reciclagem não paga a luz e a água”, reconhece Raimundo.

Em busca de melhorias no trabalho, os dois grupos tentam efetuar a compra de uma prensa para auxiliar neste trabalho. Isto facilitaria a estocagem e também o deslocamento dos produtos recicláveis do município para outras cidades quando forem comercializados.

O valor do equipamento, porém, é muito alto. Além desta necessidade, Ana Claudino, matriarca de uma das famílias que atua no galpão, expõe outras melhorias que precisam ser feitas no local. “O ideal é que o galpão seja em outro local da cidade, não no centro. A estrutura também precisa ser melhorada”, recomenda.