Foto: Gabriel Zapella/ CIDASC
O recebimento de pacotes de sementes junto a uma compra pela internet não é novidade. Isso acontece também com outros produtos, são os famosos Brushing, técnica enganosa usada no comércio eletrônico para aumentar as classificações de um vendedor criando pedidos falsos e também aumentar a visibilidade de um produto.
É o que pode ter acontecido nos casos relatados em Santa Catarina, entre eles um morador de Braço do Norte. A primeira pessoa a receber foi um morador de Jaraguá de Sul, realizou a compra pela internet e recebeu as sementes junto com a encomenda.
De acordo com Alexandre Mees, Gestor do Departamento de Estado de Defesa Sanitária Vegetal da CIDASC, todos as encomendas relacionadas vieram de países asiáticos. Neste momento não tem como saber se o material está envenenado, mas acredita que seja improvável.
“Assim que soubemos que o morador de Jaraguá do Sul recebeu as sementes, coletamos o material e encaminhamos o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA, onde serão feitas análises. É um processo demorado porque tem que germinar a semente para tirar as conclusões”.
Na tarde desta quarta-feira (16), a CIDASC  emitiu uma nota explicando os perigos de receber sementes sem saber qual a procedência.
“Apesar de parecerem inofensivas, essas sementes clandestinas podem estar contaminadas e disseminar pragas e doenças em nossas lavouras. Uma simples semente que pode gerar prejuízos incalculáveis a todos os catarinenses”.
A nota ainda explicava o que fazer caso seja feita uma compra pela internet e vier outras sementes. ” Se você receber um pacote como esse junto com suas compras, não abra, não semeie e não jogue no lixo. Leve-o ao escritório da Cidasc mais próximo para que sejam recolhidas”.
A CIDASC também disponibilizou um canal direto para orientações: 0800-644-6510 ou (48) 3665 7300 (WhatsApp).

Outros países também receberam a semente junto com produtos

A história da semente envenenada não passou de um mal entendido. De acordo com Alexandre, o morador recebeu uma informação pelas redes sociais de que a China estaria enviando sementes e ervas envenenadas para vários países. O morador ficou assustado e acionou as autoridades.
Mas esta história não surgiu agora. Os textos correm pelas redes sociais no Brasil desde meados de julho e não passam de meros boatos, ou fake news. A história roda o mundo desde o começo da pandemia de Covid-19, e descreve que o objetivo da China era exterminar a população enviando as sementes.
O caso também aconteceu nos Estados Unidos, em julho. O Departamento de Agricultura do país confirmou que as sementes não são envenenadas e até identificou as espécies dos materiais coletados.
Conforme o órgão os norte-americanos receberam sementes de mostarda, repolho, hortelã, sálvia, alecrim, lavanda, hibisco e diversos tipos de rosas.
A entrada de sementes em alguns países por meio de envio de postagem é ilegal, o Brasil está incluso nesta lista. “Existe uma burocracia, em alguns casos algumas plantas ficam até em quarentena para cuidados com a nossa agricultura”, finaliza.