O ex-juiz federal e ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro prestou no último sábado (2), depoimento de pouco mais de oito horas na Superintendência da Policia Federal, em Curtiba, no Paraná. Na oitiva Moro relatou que o presidente Jair Bolsonaro, em troca de mensagens por telefone teria mencionado: ‘Moro você tem 27 Superintendências, eu quero apenas uma, a do Rio de Janeiro’.

O depoimento do ex-servidor público federal à Policia Federal foi detalhado em dez páginas. Em seu testemunho Moro delineou as pressões feitas pelo chefe do poder Executivo para que ocorressem as trocas de cargos na Polícia Federal. No Rio de Janeiro, uma troca já tinha ocorrido em agosto passado, quando Ricardo Saadi deixou a função. Por Bolsonaro, o diretor-geral, Maurício Valeixo, deveria ter sido exonerado há algum tempo, no entanto, o ato só pôde ocorrer no mês passado, quando gerou a crise que ocasionou o pedido de demissão do ex-ministro.

Em depoimento, Moro destacou que pensou em concordar com a exoneração de Valeixo para evitar um conflito com o presidente, porém concluiu que não havia motivos para realizar a mudança na direção-geral da Polícia Federal. Segundo o ex-ministro, a indicação de Alexandre Ramagem para a vaga de Valeixo afetaria a credibilidade do órgão de segurança pública. Ramagem é próximo dos filhos do presidente e do próprio Bolsonaro.

Moro não quis opinar se as condutas do atual presidente caracterizam crimes. Ele assegurou que cabe a Polícia Federal averiguar e avaliar o ocorrido. De acordo com o ex-juiz há, porém, desvio de finalidade na conduta do chefe do poder Executivo sobre a Polícia.

O depoimento ocorrido no sábado foi determinado pelo ministro do Supremo Tribunal Federa (STF) Celso de Mello, relator do caso, e foi colhido presencialmente por delegados da Polícia Federal e acompanhado pelos procuradores que tiveram autorização do ministro do STF.

Nesta segunda, a Procuradoria-Geral da República (PGR) afirmou que vai investigar se há motivos indevidos para a troca no comando da Superintendência da Polícia Federal do Rio, uma das primeiras decisões do novo diretor-geral da Polícia Federal, Rolando Alexandre de Souza. O caso será analisado no inquérito já aberto pelo ministro Celso de Mello, do STF.