Quem fuma cigarro, cachimbo e charuto tem mais chance de desenvolver quadros graves de COVID-19

Estudos da Universidade de Ciência e Tecnologia de Huazhong, em Wuhan, na China, apontam que entre os pacientes com COVID-19 grave, os fumantes faleceram em maior porcentagem do que os que não fumavam.

Um vírus muito agressivo para os pulmões, o COVID-19 pode ser ainda mais prejudicial para fumantes. De acordo com uma pesquisa da Universidade de Ciência e Tecnologia de Huazhong, em Wuhan, na China, as pessoas que fumam têm 14 vezes mais chances de desenvolver quadros graves de COVID-19 do que os pacientes que não possuem o hábito.

E não é apenas o cigarro tradicional que causa todos estes prejuízos à saúde. Assim como a nicotina, substâncias do charuto e cachimbo também trazem risco de câncer de pulmão, bronquite crônica e enfisema. Claro que em incidência menor por haver inspiração menos profunda, sem tragar.

De acordo com Filipe Viana Correa, pneumologista do Complexo Médico da Pró Vida, a COVID-19 é uma doença muito recente,  e por esse motivo ainda não existem evidências fortes sobre a sua relação com o tabagismo.

Entretanto, na epidemia recente que correu na China, o número de pacientes com a COVID-19 grave, ou seja, com insuficiência respiratória e necessidade de tratamento em terapia intensiva, foi maior entre os fumantes, especialmente naqueles mais idosos e
com doenças crônicas não infecciosas, em sua maioria, causadas ou agravadas
pelo tabagismo.

“Nestes primeiros estudos com grande casuística, entre os pacientes com COVID-19 grave, os fumantes faleceram em maior porcentagem do que os que não fumavam. Um aspecto relevante é o aumento do risco de contaminação com o coronavírus durante o compartilhamento dos cigarros comuns ou eletrônicos, mas especialmente do narguilé, com pessoas infectadas, muitas das quais estão assintomáticas ou com poucos sintomas da COVID-19”, ressaltou.

Filipe também lembra que os fumantes devem tentar deixar de fumar não apenas por causa do COVID-19. “Mas também para reduzir os gastos com o consumo do
tabaco, aumentar a sua qualidade e a expectativa de vida”.

GRUPO DE RISCO
Os fumantes se encaixam no grupo de risco porque têm maior risco de infecções por vírus, bactérias e fungos e são acometidos com maior frequência de infecções como sinusites, traqueobronquites, pneumonias e tuberculose.

Isso porque o tabaco inflama as mucosas das vias aéreas e prejudica os mecanismos de defesa do organismo, tanto os sistêmicos, quanto os locais.

Fumar aumenta o risco de complicações de dezenas de doenças, em especial, as doenças cardiovasculares isquêmicas (insuficiência vascular periférica, infarto do miocárdio e derrame cerebral), as doenças respiratórias (bronquite e enfisema) e diversos tipos de câncer.