#Pracegover Foto: na imagem uma mão jovem entrelaçada com uma mão de uma pessoa idosa
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Milhares de pessoas em todo o mundo podem contar uma ou duas histórias de Alzheimer. Os motivos são os mais diversos, mas entre eles, porque vivenciou a experiência com alguém da família ou ainda, soube do caso por meio de um familiar, parente, amigo ou conhecido. Afinal, trata-se da condição degenerativa mais frequente que existe e cuja característica marcante é a perda da memória de curto prazo.

A médica geriatra, Letícia Heidemann, de Tubarão, explica que o alzheimer é o tipo de demência mais comum. Ele se caracteriza por perdas cognitivas, que levam a perdas na funcionalidade. Dentre as funções cognitivas, a mais conhecida é a memória, porém há ainda a linguagem, comportamento, entre outras. O início do quadro caracteriza-se por esquecimentos de fatos recentes, desorientação temporo-espacial, dificuldade para realizar tarefas do dia a dia que antes eram realizadas facilmente. É comum que a pessoa fique mais repetitiva, pergunte várias vezes a mesma coisa, fale muito sobre o passado, tenha dificuldade de recordar datas e compromissos e tenha dificuldades em atividades como tomar medicações sem ajuda, cozinhar, realizar compras e sair sozinha.

Ela conta que as demências de modo geral são divididas em três estágios: leve, moderada e grave. À medida que a doença avança, as perdas de memória se tornam cada vez mais evidentes e o grau de dependência do doente também aumenta. É possível ainda, o aparecimento de alterações de comportamento, como agitação, alucinações ou apatia.

Sobre o diagnóstico de síndrome demencial, a geriatra afirma que é clínico. A realização de história e exame do paciente, principalmente das funções cognitivas, é considerado suficiente na maioria dos casos. “Alguns pacientes precisarão realizar testes que avaliem mais detalhadamente a função cognitiva, quando o quadro é mais duvidoso, sendo mais comum em quadros muito iniciais. Esse teste é realizado por psicólogos especializados e chama-se avaliação neuropsicológica. Para realização do diagnóstico da causa específica da demência, é importante também a realização de exames laboratoriais e um exame de imagem do encéfalo, como uma ressonância magnética do crânio, por exemplo”, pontua a profissional.

A idade e a genética segundo a profissional não desencadeiam a doença de forma isolada. “Desencadear, isoladamente, não é o mais comum. Mas são fatores de risco importantes para o surgimento da doença. Quanto mais envelhecemos, maior o risco de desenvolvermos algum tipo de demência. Porém existem diversos outros fatores de risco para o aparecimento do alzheimer, a maioria fatores modificáveis, ao contrário da genética e da idade. Por essa razão, é mais importante focarmos nesses outros fatores, pois poderão impedir ou retardar a instalação da doença”, destaca.

Os fatores de risco modificáveis são: consumo excessivo de álcool, traumatismo cranioencefálico, poluição atmosférica, educação secundária incompleta, hipertensão, obesidade, perda auditiva, tabagismo, depressão, sedentarismo, isolamento social e diabetes. Estima-se que, juntos, esses 12 fatores de risco sejam responsáveis por 40% dos casos de demência no mundo.

A profissional de saúde destaca, que depois do diagnóstico realizado, há algumas medidas, farmacológicas e não farmacológicas, que ajudam tanto a retardar a evolução da doença, quanto a auxiliar no controle de comportamento. Existem duas classes de medicamentos que podem ser utilizadas, porém nem todos os pacientes tem indicação do uso das duas.

“As medidas não farmacológicas têm evidências de ajudar tanto quanto as medicações. Importante incluir o paciente nas atividades do dia a dia (deixar realizar atividades na cozinha, por exemplo, com supervisão), manter a pessoa sempre orientada, estimular a memória (estimular leitura, conversar sobre as coisas que assistiu na televisão, por exemplo), estimular a maior independência possível nas atividades do dia a dia (sempre supervisionado), manter o ambiente calmo, entender que os esquecimentos ou as alterações no comportamento não são propositais, estimular realização de atividades físicas e, se puder manter estimulação cognitiva com acompanhamento de neuropsicólogo ou neuropsicopedagogo e terapia ocupacional, melhor ainda”, enfatiza.

O uso do tabagismo e alcoolismo, por exemplo, podem desencadear ou acelerar a doença de acordo com a geriatra. São fatores relacionados ao aparecimento de um quadro demencial. “O álcool especificamente, pode inclusive ser responsável por demência induzida por álcool, independentemente de outros fatores de risco para Alzheimer, por exemplo. Ele tem efeito nocivo direto nas células cerebrais, além de contribuir para deficiências vitamínicas que interferem também na cognição”, finaliza.

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