A professora Maria Terezinha entre os candidatos Lucas, José Murilo, Nazaré e Alex. Entre as propostas, está um ônibus adaptado a cadeirantes.
A professora Maria Terezinha entre os candidatos Lucas, José Murilo, Nazaré e Alex. Entre as propostas, está um ônibus adaptado a cadeirantes.

Karen Novochadlo
Tubarão

Os portadores de necessidades especiais estão em constante luta para serem reconhecidos como iguais dentro da sociedade. Nesta semana, a Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) elege um casal de representantes. Os dois que assumirão o cargo de autodefensor participarão de palestras e congressos, e serão os porta-vozes dos alunos dentro e fora da instituição.

Atualmente, este papel é cumprido Alex Guerreiro dos Santos, 29 anos, portador de hidrocefalia. “Uma vez por semana, visito as salas, perguntas aos alunos como vão as coisas e tento ajudar”, relata ele, que também participa de congressos. O último foi em Blumenau.

Ao todo, seis alunos candidataram-se às vagas, com mandato de seis anos. José Murilo Medeiros, 34 anos, portador de deficiência intelectual e física, já fez uma carta com todas as suas propostas. A lista inclui novos computadores, mais passeios, professores de música e um show semanal de violão no recreio. O pedido mais especial é de um ônibus com adaptador para cadeira de rodas. “É a lei”, ressalta.

Também candidatas, Maria Nazaré Nunes, 43 anos, portadora de paralisia cerebral, pede que a rotatividade dos professores diminua. “Eu queria que a sociedade visse a gente como uma pessoa igual a todo mundo”, revela. Outro candidato, Lucas Cancelier, 24 anos, portador de deficiência física, quer oferecer mais passeios fora da escola.

O que é autodefensoria?
O programa de autodefensoria é um processo contínuo de autoconhecimento, onde os alunos aprendem os seus direitos, deveres e exigem participação na sociedade.

Redação premiada

Com muita sensibilidade, a aluna da Apae Maria Nazaré Nunes escreveu 20 páginas sobre sua vida. Com o texto, ela ganhou o 5º lugar no concurso nacional de redação de todas as Apae. A narrativa foi escrita à mão por Maria em um mês. O resultado do concurso foi revelado no dia 6 de novembro, em Bento Gonçalves. Maria cresceu em uma família muito amorosa, contudo, sofreu preconceito durante a sua vida. “Fui muito discriminada em uma escola que estudei. A diretora me chamava de louca e retardada”, revela.