Assim como não consegue esquecer das amigas que se foram, Vivi também não tira da memória os rostos daqueles que ela chama de “meus heróis”.
Assim como não consegue esquecer das amigas que se foram, Vivi também não tira da memória os rostos daqueles que ela chama de “meus heróis”.

Karen Novochadlo*
Braço do Norte

A madrugada do dia 3 de junho nunca sairá da memória da jovem Viviane Ceolin de Souza, 28 anos, de Braço do Norte. Ela era uma das passageiras do Clio que colidiu de frente com um Vectra na SC-438. Viviane e duas amigas – Jadna Gaidzinski, 18, e Josimeri Baggio, 28 – sobreviveram. As duas outras amigas, que estavam nos bancos da frente, Lígia Heidemann Schueroff, 22, e Simone Sebastião, 24, morreram na hora.

Quatro meses após a tragédia, Vivi ainda carrega algumas sequelas, como a dificuldade de movimentar a mão esquerda. O fato de estar viva já é considerado um milagre, inclusive pelos médicos.

Ela teve perfurações no tórax, quebrou a perna e o braço, sofreu um quadro de embolia pulmonar. Foram 16 dias no hospitais, quatro deles na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI). Precisou de máscara de oxigênio, sonda, dreno. “Quando eu saí do hospital de cadeira de rodas, o meu ortopedista acreditava que eu nunca mais andaria”, lembra Vivi.

Ela e as outras duas sobreviventes, Jadna e Josi, mantém contato até hoje. A amizade das três foi fundamental para evitar traumas e acelerar a recuperação. Jadna teve traumatismo craniano e fraturou quatro costelas. Josi conseguiu superar uma grave hemorragia.

O rapaz que dirigia o Vectra foi indiciado por duplo homicídio culposo e responde ao processo em liberdade. Apesar de não nutrir raiva ou ódio dele, Vivi ainda não conseguiu perdoá-lo. “Isto só Deus pode fazer”, acredita.

* Especial para o Notisul.