Amanda Menger
Tubarão

A perda do pai, há cinco anos, mudou a vida do funileiro Jhony Goulart, 23 anos, de Tubarão. Além de pai, Valdenir Cordin da Silva era amigo e companheiro do filho. A morte foi prematura, aos 45 anos, após um infarto.

Cuidar da mãe, Janete, e de mais dois irmãos passou a fazer parte da vida de Jhony, assim como cuidar do cabelo. É, do cabelo! É que o jovem fez uma promessa de ficar sem cortar o cabelo por cinco anos. “Quando meu pai morreu, decidi que iria provar o meu amor por ele e deixei o cabelo crescer. Deu bastante trabalho para manter, tinha que passar condicionador. Os amigos falavam muito, riam, faziam piadinha e puxavam o cabelo”, conta Jhony, que chegou a ganhar um apelido sugestivo: cabelo. “É, muitos me conhecem por este apelido”, relata, entre risos.

Os últimos anos têm sido difíceis sem a presença do pai. Mesmo não se considerando muito religioso, o rapaz sempre faz orações e pede ajuda ao pai. “Pedia força a ele, que me iluminasse. O momento mais difícil foi quando sofri um acidente. Foi há uns três anos e meio, caí de moto na BR-101 e fiquei com ferros na perna por mais de um ano”, lembra Jhony. “Quando ele sofreu o acidente, chorava muito, ele sentiu a falta do pai. Não é fácil ser mãe e pai ao mesmo tempo. Mas a gente aprende”, afirma Janete.

Nesta quinta-feira, completou cinco anos desde a promessa. Uma das primeiras coisas que Jhony fez foi cortar o cabelo, que chegou até o meio das costas. “Nossa, foi um alívio! Estava contando os dias para fechar os cinco anos. Dá muito trabalho cuidar de um cabelo comprido. Vou guardar o que sobrou, a minha avó sabe fazer perucas e vou dar a ela”, conta o funileiro.