Rafael Andrade

Tubarão

Ajudar. É uma palavra simples, mas de uma riqueza imensurável. Assim, de ajuda e doações vai sobrevivendo a Associação de Atendimento à Criança e ao Adolescente de Tubarão (Combemtu), que surgiu justamente logo após a Grande Enchente de Tubarão, em 1974, para amparar famílias de baixa rentabilidade que tiveram muitos prejuízos (e até registros de mortes) após o maior desastre natural da história de Santa Catarina. O foco foi dar atenção às crianças e adolescentes e apoiá-los no seu desenvolvimento, apesar de tanta dor decorrente das chuvas de março daquele ano. Ao longo das mais de quatro décadas de ação social contínua, foram tantos os reconhecimentos, dezenas de prêmios, de obrigados… E muitos aplausos já estão com certeza programados ao futuro da instituição, e que as palmas sejam estendidas a todos  os seus atuais 28 funcionários e 17 colaboradores. Neste ano, um projeto da Combemtu será exibido na Rede Globo durante a já tradicional Campanha Criança Esperança, que tem apoio do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

A notícia que uma proposta de inserção social da entidade tubaronense foi aprovada foi dada, na sexta-feira (29), pessoalmente por um dos apresentadores e mobilizadores da campanha nacional, Flávio Canto, que também é ex-judoca e medalhista olímpico, e mantenedor do Instituto Reação, uma organização não governamental que atua em quatro comunidades no Rio de Janeiro, promovendo o desenvolvimento humano por meio do esporte e da educação, fomentando o judô, desde a iniciação esportiva até o alto rendimento.  “É impressionante o trabalho feito aqui na Combemtu. É um projeto maneiríssimo, de 44 anos, que começou depois de um grande ‘tombo’ na cidade, provocado pela Enchente de 74. Neste ano, serão 30 mobilizadores no Criança Esperança. Cada um de nós visita três propostas. É um orgulho incluir Tubarão. Este tipo de trabalho é de um país que dá certo”, agrega Flávio.

Segundo a coordenadora geral da instituição tubaronense, Janine Lima, a Combemtu atende a 280 crianças e adolescentes de todos os bairros da Cidade Azul, e o projeto aprovado pela Unesco é o Projeto Cultura da Paz, que pretende organizar eventos itinerantes na comunidades e envolver as famílias nas ações. “Esta proposta foi inscrita por nós em outubro do ano passado. A ideia central é montar oficinas artísticas em modo itinerante. Parte do recurso levantado no Criança Esperança poderá agora nos ser revertida e o foco é adquirir um micro-ônibus para que possamos montar tal proposta nas comunidades”, detalha Janine.

Além das aulas de Judô, a Combemtu oferece, de maneira integralmente gratuita, oficinas – todas no contraturno – de Futebol, Dança Urbana, Capoeira, Artesanato, Leitura, Recreação e Lazer, e Boi-de-Mamão. 

O Criança Esperança surgiu a partir de uma ideia de Renato Aragão, o Didi da Turma dos Trapalhões. Durante uma seca no Ceará, em 1985, ele resolveu ajudar seus conterrâneos e pediu auxílio à Rede Globo. A emissora abraçou a ideia e fez um programa assistencialista, na época chamado de SOS Nordeste . O sucesso foi imediato e as doações tão grandes, que foi necessária a ajuda do Exército para levar todos os suprimentos. O objetivo era fazer um programa que arrecadasse dinheiro, roupa ou alimento para as pessoas que vinham sofrendo com o problema. O primeiro programa contou com a participação de diversos artistas e durou quatro horas de um domingo. O nome atual surgiu no ano seguinte. A campanha chega à sua 33ª edição em 2018. Além de Flávio Canto, apresentam e são mobilizadores da causa os artistas Dira Paes, Lázaro Ramos e Leandra Leal.